
A National ePrescribing Patient Safety Initiative (NEPSI), uma iniciativa de diferentes organizações de Saúde nos Estados Unidos, está liderando um projeto digno de atenção: uma campanha para que todos os médicos americanos usem um software de prescrição eletrônica, o e-prescribing. Mais do que fazer campanha, a NEPSI passou a oferecer aos seus associados um software de prescrição eletrônica (e-prescribing) gratuito.
A razão por trás da iniciativa são os erros médicos de prescrição, uma discussão de longa data. Mais precisamente, desde 1999, quando o Institute of Medicine (IOM) afirmou que morrem, anualmente, entre 44 mil a 98 mil americanos devido a erros médicos e 7 mil devido a erros de medicação. Já naquela época começaram os estudos para oferecer soluções à questão e as prescrições eletrônicas são consideradas fator contribuinte para a segurança de pacientes hospitalizados, além de evitar erros provocados pela ilegibilidade da receita e de dosagem.
Na Inglaterra, um estudo identificou que 15% das prescrições apresentam um ou mais erros. Outros estudos apontam os efeitos adversos provocados pela prescrição errônea. O Winterstein et AL, em 2004, mostrou que 72% dos erros de medicação acontecem na prescrição, seguidos pela administração (15%), dispensação (7%) e transcrição (6%).
E-prescribing na realidade brasileira
No Brasil, poucos são os dados sobre o tema, mas quem nunca teve uma ou muitas receitas médicas ilegíveis em mãos?
Se a prescrição fosse eletrônica, com o uso de computador ou palmtop, a mesma seria enviada para a farmácia eletronicamente. Para nós, ainda parece uma realidade do futuro. Mas basta que o Governo, ou uma iniciativa como a da NEPSI nos Estados Unidos, apareça para que o cenário mude rapidamente, pois a tecnologia já está disponível no mercado.
E as vantagens seriam inúmeras. O e-prescribing pode melhorar a eficiência no atendimento, diminuir erros e melhorar a obediência aos formulários de gerenciamento médicos. Além disso, oferece informações importantes de apoio à decisão médica, com opções de escolha de medicamentos, alternativas para um medicamento receitado, possíveis efeitos colaterais, informações sobre a droga que está sendo receitada, alertas sobre erros de dosagem, entre outras informações.
Em uma pesquisa com médicos que usam e-prescribing, de acordo com o blog Informática Médica no PSF, 75% dos médicos indicam que o sistema eletrônico pode diminuir erros, 70% cita aumento de produtividade, 60% indica potencial em diminuir recusas a ajudar paciente a assumir mais responsabilidade, e 50% acredita que pode diminuir o tempo de consulta e o número de pacientes que procuram serviço sem necessidade.
Se as vantagens são tantas, por que ainda não está sendo disseminado com tanta força? As dificuldades parecem estar centradas principalmente nos custos. E é por isso que a iniciativa da NEPSI em oferecer um software gratuito merece tanto destaque. Muito provavelmente, o grupo por trás se responsabiliza pela manutenção do sistema,uma das partes mais importantes e que implica em altos custos.
Atento à qualidade do sistema de saúde de seu país, o Serviço Nacional de Saúde da Escócia (NHS) tem investido na melhoria dos serviços oferecidos aos cidadãos escoceses. Para alcançar esse objetivo, decidiu integrar todo o sistema de saúde do país. Sua mais recente aposta foi a ferramenta Ensemble, em associação ao sistema TrakCare, solução já utilizada no país – ambas ferramentas da InterSystems.
Mas como essas ferramentas serão capazes de integrar um país inteiro?
De acordo com a Better Health, Better Care Action Plan and the eHealth Strategy 2008 – 2011, a Ensemble facilitará a gestão de serviços, uma vez que melhora o fluxo de informações clínicas e não-clinicas entre todos os envolvidos no setor da saúde – hospitais, laboratórios, clínicas, seguradoras e operadoras de assistência médica – trazendo mais eficiência e qualidade aos processos. Consequentemente, beneficiará o paciente escocês, aumentando a segurança no fluxo de seus dados assim como de seus resultados clínicos.
Já o sistema TrakCare, permite maior agilidade no atendimento, além de dar assistência aos profissionais de saúde. Trata-se de um sistema avançado de informação de saúde centrada no paciente. Ou seja, um único prontuário médico eletrônico, que pode ser acessado pelos profissionais de saúde, no ponto de atendimento ao paciente, independentemente do local em que o prontuário tenha sido gerado. Dessa forma, o paciente será atendido em todo território nacional com todas as informações e histórico ao alcance de qualquer médico.
O aprimoramento e a busca pela eficiência nos atendimentos e na qualidade dos serviços prestados poderão tornar a Escócia um exemplo a seguir, inclusive para o Brasil.
E você, o que acha? Diante dos investimentos em saúde na Escócia, acredita ser possível a integração do sistema de saúde em todo o território brasileiro?
Em breve você vai poder dizer apenas seu nome em um hospital da rede pública para ter acesso a um banco de dados completo com seu histórico médico. Todos os seus exames, receitas médicas e demais informações ficarão disponíveis para serem consultados via internet, de qualquer lugar. Isso é, se o projeto de lei PLS 474/08 for aprovado! Ele já está em trâmite no Senado para alterar a Lei nº 8.080, também conhecida como Lei Orgânica da Saúde. Com o projeto aprovado, haverá a implantação de um sistema integrado entre todos os hospitais que atendem pelo SUS.
Enquanto isso não acontece, o primeiro passo para o projeto de lei já está dado: alguns hospitais do país já têm adotado a tecnologia do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), um sistema desenvolvido pela InterSystems, em parceria com médicos e enfermeiras. Com ele, além de melhorar a qualidade do atendimento, o hospital diminui o uso do papel e reduz custos com materiais e medicamentos, tornando a gestão mais eficiente e sustentável. Já são cinco instituições públicas de saúde que contam com o sistema, mais de 7 mil profissionais que o acessam via internet todos os dias, contabilizando 1,7 milhão de prontuários registrados.
O Hospital Regional da Asa Norte, situado em Brasília (DF), foi o mais recente a adotar o PEP, que foi implementado em apenas 75 dias. Desde a última quarta-feira, todos os processos de atendimento no hospital passaram a ser geridos por meio de prontuários eletrônicos, desde a entrada do paciente no hospital até a prescrição feita pelo médico.
O projeto da InterSystems prevê ainda a implementação de prontuários eletrônicos em 17 hospitais e 63 centros de saúde, até maio do ano que vem, levando esse benefício a aproximadamente 2,5 milhões de brasileiros. No futuro, o sistema poderá se estender a farmácias e consultórios. “Conseguimos reduzir em 50% o desperdício de medicamentos e sua má administração”, explica Fernando Vogt, diretor de Negócios em Saúde da InterSystems. Segundo ele, os benefícios do sistema paperless vão além da redução de custos: “Também reduzimos o número de exames realizados sem necessidade pelos pacientes, o que gerou uma boa economia de recursos e tempo”.
Para saber mais sobre o prontuário eletrônico e outros assuntos relacionados é só acompanhar o nosso blog.
O uso da TI no setor da saúde tem gerado benefícios a todos envolvidos – hospitais, clínicas, laboratórios, seguradoras e operadoras de assistência médica – dando maior agilidade, eficiência e qualidade aos processos.
A informatização do setor está em ritmo acelerado devido a entrada do padrão TISS (Troca de Informações de Saúde Suplementar), responsável pela padronização de guias e demonstrativo de pagamentos entre as operadoras de planos de saúde e prestadores de serviço. Esse padrão é uma exigência da ANS (Agência Nacional de Saúde) em concordância com as normas da ABNT no que diz respeito à informatização do setor de saúde.
Em matéria publicada na revista TI Inside, é possível entender como a TI fornece soluções para atendimento de pacientes e auxilia na gestão hospitalar, clínica ou laboratorial, inclusive reduzindo custos.
Para saber mais sobre o assunto, basta visualizar abaixo a matéria na íntegra ou então visitar a página do Saúde Conectada no Scribd, caso esteja vendo esse post por um leitor de feeds.
TI Inside – Prescrição: Use TI na saúde!

A burocracia toma mais de um terço do tempo de médicos durante o período de atendimento, mais precisamente 39% das horas. Esse foi o resultado de uma pesquisa divulgada recentemente pelo The New York Times, na matéria Doctors and Patients, lost in paperworks. A pesquisa concluiu que se não houvesse a burocracia, os pacientes poderiam ter 40% a mais de tempo com o médico para investigações mais completas.
Outra pesquisa, citada pela mesma reportagem, aponta o aumento da burocratização entre residentes de medicina. Nesse caso, os dados indicam que estudantes perdem duas vezes mais tempo com documentação atualmente do que duas décadas atrás.
Os indicativos são um convite para a reflexão sobre os processos e o cotidiano da área médica. Será que não podemos eliminar boa parte da burocracia para que os médicos dediquem um tempo maior no que realmente nos interessa, a saúde do paciente?
Esse tempo perdido fica ainda mais complexo quando estamos lidando com as necessidades de documentações exigidas pelos diferentes planos de saúde. Diariamente, inúmeros pedidos de exames ainda são negados ou têm que retornar para o médico por erro ou falta de preenchimento.
Essa dificuldade e muitas outras vêm sendo vencidas pelo uso de tecnologias de informação pelos médicos. Hoje, por exemplo, a internet oferece possibilidades muito maiores de aprendizado aos estudantes. A base de dados da MEDLINE, mantida pela Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, possui nada menos que 19 milhões de referências bibliográficas, com resumos, desde 1970, disponíveis online.
A solução
O registro eletrônico de informações médicas sobre os pacientes, feitos internacionalmente de forma unificada e integrada a hospitais, laboratórios e consultórios parece ser a melhor solução, o que não elimina as dificuldades para implantação. A reportagem da Revista Informática Médica esclarece pontos importantes sobre as dificuldades de uso do registro eletrônico. O principal é cultural, depois vem a necessidade de padronização e unificação dos sistemas:
“(…) para substituir inteiramente o papel pelo computador é preciso ocorrer uma verdadeira revolução cultural no ambiente profissional e na cabeça dos médicos e enfermeiros, que devem ser usuários diretos do computador e responsáveis pela informação que será colocada maciçamente lá dentro.”
Outro problema é a necessidade de uma linguagem padronizada universalmente. No Brasil há alguns movimentos para isso, mas não é o suficiente. Por isso, sistemas com o intuito de informatizar a linguagem da Medicina têm surgido nos EUA e na Europa. A reportagem aprofunda-se mais ainda no cenário atual:
“Geralmente, as diferentes empresas e instituições desenvolvem os seus próprios sistemas, ou compram sistemas incompatíveis entre si no mercado, e eles não se comunicam, dificultando a formação de redes de saúde. Por isso, está em andamento um esforço grande de conseguir uma linguagem comum entre os sistemas.”
Muitos fatores demonstram as vantagens do uso da tecnologia na área de saúde e a globalização torna necessária a criação de padrões internacionais para uma unificação de sistemas em todo mundo. Não há dúvidas que vamos chegar ao ponto em que as redes de comunicação farão parte do dia a dia do médico, assim como o estetoscópio. O que ainda não se sabe é quando e como se dará esse processo. O movimento de quem se preocupa com isso tem sido nessa direção, de sugerir caminhos.

O cigarro é o segundo causador de mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), só perdendo para a hipertensão. E, mesmo diante desse dado ou das proibições de fumar em ambientes fechados, muitos não conseguem libertar-se do vício. Os tratamentos que existem incentivam a parar por meio da redução do uso de cigarros e, na prática, são inúmeros os casos de ex-fumantes que voltam a fumar.
Essa é atual situação dos dependentes do tabaco, mas um olhar diferenciado fez surgir uma esperança, prometida para estar disponível no mercado em 2012. Recentemente, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, iniciou estudos clínicos para uma vacina anti-fumo, denominada NicVAX.
Até então, todos os tratamentos contra a nicotina atuavam no sistema nervoso central. A nova vacina atua no sangue e impede que a nicotina passe para o cérebro e ocasione a sensação de prazer para fumantes. As primeiras fases dos ensaios clínicos mostraram que a vacina é capaz de criar esse mecanismo evitando a retomada do vício.
A Nabi Biopharmaceuticals é o grupo por trás do projeto e ainda não divulgou efeitos colaterais da vacina, mas afirma que os efeitos são menores, já que ela não atua no sistema nervoso central.
Prevenir é a melhor opção
Mais do que um tratamento eficaz, o conceito inovador dessa vacina é que ela pode ser uma opção para prevenir as doenças causadas pelo cigarro, tais como o câncer de pulmão (87% das mortes por câncer de pulmão ocorrem entre os fumantes), doenças cardíacas (fumantes têm 70% a mais risco), problemas com circulação sanguínea, entre outras.
Mas, para isso, é necessária uma mudança cultural no brasileiro, que tem o costume de só procurar um médico para tratamentos de doenças e não para prevenção. Segundo um estudo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o perfil de mortalidade dos brasileiros é similar entre os cidadãos atendidos pelo SUS e aqueles que pagam por um plano de saúde. Em ambos os casos, as doenças do aparelho circulatório aparecem como a principal causa de morte (31%), seguida das neoplasias, responsável por 22% das mortes.
A razão de tal similaridade demonstra que o problema não é financeiro e sim falta de prevenção, somada à necessidade de uma rede de saúde integrada. Uma das saídas é investir em soluções como o sistema do Cartão de Saúde do Cidadão, implantado no Distrito Federal. Prontuários eletrônicos podem ser o caminho mais óbvio para evitar gastos com saúde partindo do princípio da prevenção. Vale ressaltar que a tecnologia da informação está ai, disponível de inúmeras formas, e muitas vezes não é utilizada em todo o seu potencial. Assim como um olhar inovador gerou uma vacina preventiva, o Brasil precisa de um olhar diferenciado, novo, para ter um sistema de saúde preventivo nacional.
O genoma humano foi decodificado. Descobriu-se que a terapia hormonal para mulheres na meia idade aumenta o risco de acidentes cardiovasculares. Essas são apenas duas das importantes pesquisas publicadas na última década. A cada ano são feitas novas descobertas científicas na área da medicina e da farmacologia. Direta ou indiretamente, a maioria delas interfere principalmente nos tratamentos oferecidos aos pacientes. Com tanta tecnologia, acesso a publicações científicas médicas, mídias sociais, como o médico pode se manter bem informado?
Essa é uma questão importantíssima para a carreira do profissional e para a saúde de seus pacientes. Pensar nesse dilema pode até causar um certo desespero. Mas as novas formas de comunicação podem oferecer uma sugestão de resposta. E até o Ministério da Saúde percebeu o potencial delas.
Sobre as notícias oficiais brasileiras relacionadas à saúde, os profissionais podem se atualizar por meio das mídias sociais. O Ministério da Saúde possui páginas no Orkut, Facebook e Twitter. Para tirar dúvidas sobre a campanha de vacinação contra o vírus H1N1 criou inclusive uma conta no Formspring – site no qual qualquer pessoa posta uma pergunta, mas só o dono da conta pode responder. Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regula medicamentos e alguns tratamentos, possui uma área no seu site apenas para informes e outra para notícias referentes a suas ações.
De acordo com uma matéria publicada no site Diário da Saúde, os médicos conseguiriam manter-se mais bem informados com o ritmo das descobertas científicas se usassem um plano de carreira para tal. Essa conclusão foi publicada em um estudo na revista científica Academic Pediatrics. A pesquisa analisou se “os residentes em pediatria sabem como desenvolver planos de profissionalização para se manter a par das últimas novidades na prática médica”.
Participaram da pesquisa médicos residentes – profissionais formados que estão se especializando – de 46 dos programas de residência em pediatria nos Estados Unidos, o que corresponde a 23% do total. Cerca de 1.000 dos 1.700 residentes de pediatria de todo o país foram entrevistados. Apenas 26% dos entrevistados disseram monitorar seu próprio desenvolvimento para atingir objetivos na aprendizagem. Dessa forma, a pesquisa concluiu que o acompanhamento do processo de aprendizagem continuada é mais relevante para manter os médicos atualizados com as últimas descobertas científicas e com as últimas técnicas disponíveis.
Resumindo, a melhor maneira de se manter em dia com o que há de mais novo é escrever planos realizáveis de acompanhamento do que é publicado na área e de aprendizado de novas técnicas. Em seguida, seguir os planos, claro. Apesar de ser realizada com residentes em pediatria, o resultado pode ser aplicado para qualquer profissional.
Manter-se conectado com os colegas da área também pode ser uma maneira de trocar novidades. Assim, para os conectados, o segredo é fazer um plano de estudos, segui-lo e utilizar ao máximo as redes com os amigos. Trocar experiências nunca é demais. O canal para isso? As mil e uma possibilidades da internet.
Talvez, você nunca tenha ouvido falar em telemedicina. Mas saiba que ela ganhou força com as novas tecnologias e pode ser extremamente útil para sua vida. O que seria isso? São chamados de telemedicina todos os serviços prestados por profissionais da área da saúde por meio de tecnologias de informação e de comunicação. Geralmente, ela é colocada em prática quando o paciente está muito distante ou quando a locomoção entre pacientes, estudantes da área da saúde ou médicos é complicada. Ela pode ser uma consulta online, videoconferência médica ou educação à distância.
De acordo com a Rede Universitária de Telemedicina – uma iniciativa para apoiar a implementação da prática nos hospitais universitários –, as ações na área de saúde, no Brasil, são realizadas desde a década de 1990, mas de forma tímida. “Um país com dimensões continentais, no entanto, tem muito a ganhar com a formação e a consolidação de redes colaborativas integradas de assistência médica à distância. Benefícios como a redução dos custos com transportes e comunicações e a possibilidade de levar a medicina especializada a regiões remotas do país fazem enorme diferença”, destaca o site.
O Rio de Janeiro, percebendo as diversas possibilidades da telemedicina, implantou um novo sistema. Os exames realizados pelo Programa Saúde da Família serão encaminhados, via internet, para o Hospital Municipal Miguel Couto, onde especialistas ajudarão no diagnóstico. “A novidade faz parte da estratégia da Secretaria Municipal de Saúde em diagnosticar doenças com maior rapidez sem necessidade de o paciente esperar por um consulta da rede pública”, publicou a médica Leandra Alum, no blog Tecnologia da Informação e Medicina.
Nesse caso, as pessoas que moram em cidades do mesmo porte que Rio de Janeiro e de São Paulo podem ter esse benefício já. Imagine ter realizado os exames em um laboratório, sendo que já havia passado por consulta com o médico que os solicitou. Em seguida, o resultado e as imagens seriam disponibilizados, pelo laboratório, na internet. O paciente entraria em contato com o médico, repassando por e-mail o resultado dos exames e, em seguida, teria o atendimento online. Não haveria horas perdidas no deslocamento, estresse no trânsito e paciência na sala de espera do profissional.
Com relação a epidemias, como a que era esperada com a gripe H1N1, a telemedicina seria relevante para a saúde de toda a população. Se fosse constatado que uma pessoa adquiriu a doença, o paciente poderia permanecer em casa, mas sendo monitorado por médicos via internet. Se piorasse, voltaria para o hospital para receber novo tratamento. No blog Muita Saúva, o autor Renato Okano cita outro exemplo, o de doentes crônicos.“Há inúmeros equipamentos no mercado que já fazem integração, via internet ou discagem direta ao centro de cuidados, dos dados do paciente com as bases de dados de instituições que cuidam deles. Monitores de pressão, de glicose e de peso, por exemplo, já são uma realidade, e a integração já está se concretizando”, escreveu.
Com a telemedicina, o paciente poderá ser atendido melhor, com mais rapidez e exclusividade. As vantagens são maiores ainda, em um país com dimensões continentais, como o Brasil. Cerca de 15% da população (mais de 192 milhões de habitantes) ainda vive em locais afastados. A telemedicina, em terras brasileiras, significa democratizar a saúde, fornecer melhor qualidade de vida para todos de forma igualitária e, claro, economia para investir em mais saúde.
Já diz o ditado: “Quem conta um conto, aumenta um ponto”. Quem nunca foi ao médico e deu uma exageradinha nos sintomas? Ou, simplesmente, omitiu uma informação que considerava irrelevante? Ou, como quem não quer nada, disse mentirinhas como “eu não fumo”, “não bebo” ou “pratico exercícios físicos regularmente”? Há o caso de uma mãe que jurou para o pediatra que o filho bebê se alimentava corretamente. Disse que não entendia porque ele estava acima do peso, mas não contou que dava doce para a criança comer. “Todo paciente mente”, lembra com frequência a sarcástico Dr. House, na série de TV de mesmo nome.
Segundo uma recente pesquisa realizada em São Paulo, 30% dos pacientes admitiram que não contam tudo o que deveriam aos médicos. Tanto é verdade, que o escritor e médico Moacyr Scliar relatou no Jornal Zero Hora uma “pegadinha” feita pela Escola de Medicina Johns Hopkins, faculdade americana entre as mais respeitadas do mundo: “Médicos tratavam pacientes com problemas respiratórios fornecendo-lhes um inalador para ser usado três vezes ao dia. Acontece que o aparelhinho tinha um dispositivo que registrava o número de vezes que isso realmente acontecia. Só 15% dos pacientes estavam cumprindo a prescrição. E 14% até esvaziava o nebulizador para enganar melhor o médico”.
Até o bem humorado José Simão, colunista da Folha de S. Paulo e da rádio BandNews, confessou em texto publicado no site do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo: Eu minto para os médicos! Os pacientes mentem – ou omitem – por diversos motivos. Alguns acham irrelevante contar seus maus hábitos com relação à saúde. Outros têm vergonha de assumir situações como, por exemplo, uma relação extraconjugal. Existem aqueles que desconfiam do profissional. Mesmo assim, essa não é a melhor escolha, já que toda informação é relevante para o diagnóstico.
Mas pior quando a mentira é publicada na internet. Imagine as consequências se, em seu próprio blog, um paciente mentir sobre o tratamento ou seus sintomas. De acordo com pesquisa publicada no site do Centro de Pesquisas Pew, entre 59% dos pacientes doentes, 41% disseram ter lido experiências de pessoas com o mesmo problema em grupo de notícias online, sites e blogs. Outra pessoa, com o mesmo problema, pode ser influenciada por essas inverdades escritas. E pior, prejudicar-se por isso.
No entanto, as consequências dessas mentirinhas contadas aos médicos podem ser perigosas para a própria saúde. No texto citado acima, Scliar exemplifica. “A pessoa não conta que está tomando certo tipo de medicação. O médico prescreve um remédio, há uma interferência medicamentosa com o medicamento que o paciente está tomando e aí reações graves podem ocorrer”, escreveu. Omitir a verdade pode dificultar um diagnóstico, impedir um tratamento adequado e, inclusive, prejudicar a cura do problema. Além disso, descoberta a mentira ou a omissão, como o médico poderá confiar nas informações futuras transmitidas pelo mesmo paciente?
Se o médico for experiente ou já familiarizado com o paciente, poderá perceber essas “mentirinhas”. O que será positivo para o diagnóstico ou tratamento. No entanto, nem todos os profissionais possuem essa capacidade e, como seres humanos, estão sujeitos a errar na suposição. O melhor para a saúde é deixar a vergonha, pudor, preconceito, preguiça ou presunção do lado de fora do consultório e contar a verdade. Afinal, “a mentira tem perna curta”. E ninguém quer, para si, um nariz de Pinóquio.
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Imagine chegar em qualquer unidade do Sistema Único de Saúde (SUS), falar seu nome e… pronto! Todos os exames, as informações sobre sua saúde e seu histórico médico constarem em um banco de dados no computador. Além disso, ter a possibilidade de checar em qualquer lugar, pela internet, o resultado dos exames e as receitas médicas. Seria ideal e isso está prestes a virar realidade.
Existe um projeto de lei, o PLS 474/08, que prevê o uso de prontuário eletrônico para pacientes do SUS. De acordo com o projeto, o sistema também deve ter um cadastro nacional de usuários, profissionais de saúde e de unidades de saúde públicas e privadas. O projeto, criado em 2008, foi aprovado esse ano pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado.
O projeto altera a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, também conhecida como Lei Orgânica da Saúde. Ela regula as ações e os serviços de saúde em todo o Brasil. Assim, há ainda um caminho burocrático a ser seguido. O projeto precisa da aprovação da Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS), para, em seguida, ser enviado à Câmara dos Deputados. Mas para que tanto trabalho?
Incorporar a tecnologia à saúde é tão importante que até o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, debate o tema. Em seu discurso de posse, ele disse que um prontuário eletrônico reduzirá as taxas de erro e os custos do sistema de saúde. “E isso vai levar a uma economia de bilhões de dólares e de incontáveis vidas”, afirmou o presidente.
Além de ajudar a fortalecer a economia, os prontuários eletrônicos trazem benefícios facilmente visíveis por todos. São vantagens que impactam diretamente na vida do paciente. Isso porque o atendimento será mais eficiente, respeitará os profissionais de saúde e trará mais conforto ao paciente.
Enquanto o projeto não sai do papel é preciso ser paciente de verdade. É possível esperar ele ser aprovado, o que deve acontecer em breve, e se preparar para – por que não? – nos tornarmos uma Dinamarca. O país europeu é referência na área, pois possui o sistema de saúde mais avançado na área tecnológica. Do outro lado do Atlântico, é possível até consultar o médico pela internet. O futuro que aguarde o Brasil.
















