Escrito em 5 de set de 2008

Gestão Integrada de Saúde

por Carlos Eduardo Nogueira

Por maior que tenha sido o progresso da medicina no que diz respeito ao uso da informática no diagnóstico e no atendimento médico, ainda hoje existe uma enorme desorganização das informações armazenadas, com perdas para todos. Em um brilhante ensaio denominado “Informação e Informática em Saúde: caleidoscópio contemporâneo da saúde“, as doutoras Ilara Hämmerli Sozzi de Moraes e Maria Nélida González de Gómez, da Fiocruz, expressam seu ponto de vista: “Há uma aparente aproximação de discursos ao se referir à informação e informática em saúde; no entanto, suas práticas são díspares e desconexas, com pouca clareza sobre o que se está falando”. Em decorrência deste e de outros fatores, a política do Estado na condução da política de saúde pública carece de organização, além de torná-la “cada vez mais vulnerável às pressões do mercado”.

A gestão de saúde pública, mesmo com a recente introdução da informática em hospitais, laboratórios e consultórios, ainda é historicamente feita por eventos de caráter reativo e diagnóstico. Isso acontece porque os sistemas de saúde remuneram seus participantes por eventos – consultas, exames clínicos, cirurgias. No mundo todo o custo da medicina reativa, para uma população com idade média crescente e que busca o máximo de segurança, tem sido maior do que a capacidade de financiamento do sistema. Esse modelo anacrônico tem levado governos e sistemas de saúde suplementar a uma situação de quebradeira em série.

Qual a saída para esse desafio? É preciso mudar o paradigma, trabalhando as informações de saúde em massa com um foco preventivo, não por eventos. Essa mudança requer a adoção de informações integradas de saúde que devem ser disponibilizadas a todos os participantes do sistema: médicos, hospitais, laboratórios, planos de saúde suplementar. Com a integração das informações dos pacientes, via prontuário eletrônico, é possível gerir a saúde pública preventivamente, com redução do impacto de epidemias, trabalho na erradicação de tendências negativas e melhora significativa da qualidade do atendimento, com correspondente redução dos custos.

Para a implementação desses novos conceitos, o prontuário eletrônico (ou, em inglês, EHR – Electronic Health Record) é a chave, mas sua implementação requer o redesenho dos processos de gestão de saúde, tratando-os como processos de negócios.

Tendo as organizações hospitalares como eixo (pois aí residem os maiores custos e os maiores riscos), os sistemas HIS – Health Information Systems propõem a integração dos dados de pacientes, procedimentos, disponibilidade e uso de ativos e insumos, dentro de um único sistema integrado. Os sistemas HIS garantem o acesso seguro às informações clínicas do paciente, independentemente do local físico do atendimento e de onde a informação esteja armazenada. Dados de diferentes exames laboratoriais, diagnósticos, prescrições e procedimentos efetuados em um paciente poderão ser disponibilizados a médicos e hospitais, não importa onde a informação esteja armazenada, desde que todos os participantes estejam integrados a um mesmo sistema.

O subproduto da integração é o tratamento estatístico das informações, que viabiliza a prevenção e a redução de custos da saúde pública. Obviamente, a implementação dos modernos sistemas de HIS implica em colaboração entre as partes, através de um Modelo de Gestão de Saúde em Rede, mas este será tema de um próximo post.

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