Escrito em 13 de out de 2008

As várias faces das Comunidades de Saúde em Rede

por Dr. Leonardo Diamante

É previsível que haja o compartilhamento de informações dentro de um grupo de cidadãos com objetivos em comum. E hoje em dia, essa prática ficou mais abrangente por conta de novas tecnologias que possibilitaram um maior trânsito de informações. Em uma Comunidade de Saúde em Rede temos pacientes, médicos, executivos e outros profissionais unidos pelo objetivo de compartilharem seus dados, devidamente indexados e tratados digitalmente, visando o bem-estar do indivíduo e a melhoria da qualidade do atendimento médico.

À primeira vista, muitos podem achar que as Comunidades de Saúde em Rede dizem respeito apenas a médicos e pacientes. No entanto, esse conceito tem uma abrangência bem maior quanto a participação, considerando todos aqueles que estão direta ou indiretamente envolvidos no setor de saúde, conforme comentado no texto anterior. Alguns segmentos e empresas, apesar de terem extrema importância, não estão formalmente integrados a essas Comunidades e muitos deles sequer têm consciência que já estão dentro dela. Mudar essa percepção é fundamental para que o conceito ganhe alcance e influência perante todos os participantes.

Como exemplo de profissionais de extrema importância no contexto da saúde e que atualmente estão à margem destas comunidades temos os dentistas. A boca é o segmento inicial do aparelho digestório (antigamente chamado digestivo) onde estão inseridos os dentes que, por sua vez, iniciam o processo mecânico da mastigação. Muitos problemas advindos do comprometimento das estruturas anatômicas da boca podem gerar outros de ordem sistêmica. E a responsabilidade da manutenção da saúde destas estruturas é de competência dos dentistas que, aliás, em alguns paises são médicos especializados em “boca” (Estomatologia). Por essa lógica, é de se estranhar que em nosso país os dentistas ainda estejam fora dessas Comunidades. É muito importante que outros agentes de saúde possam ter acesso ao histórico odontológico do paciente.

Apesar de sua enorme importância, o segmento de farmácias é outro que está marginalizado nessas Comunidades, em parte por conta da legislação inadequada dos órgãos governamentais. Hoje em dia, por exemplo, no caso dos medicamentos controlados, o paciente precisa voltar no médico apenas para conseguir uma nova receita daquele determinado remédio, muitas vezes tendo que pagar por uma nova consulta ou permanecendo em filas gigantescas no serviço público. Em países mais desenvolvidos que já adotaram as Comunidades de Saúde em Rede, basta que a rede de farmácias tenha em seu cadastro a autorização para que o paciente possa adquirir aquele medicamento controlado no período de um ano, por exemplo. Um controle desse nível pode minimizar o risco de auto-medicação, bem como o de se recorrer ao comércio paralelo de medicamentos, que muitas vezes são falsificados, práticas que, infelizmente, são comuns em nosso país atualmente.

As Comunidades de Saúde em Rede podem promover grandes benefícios em nossa sociedade. Para isso, é preciso discutir a fundo esse novo modelo, estimulando a troca de idéias entre os vários profissionais e empresas envolvidas, de todas as áreas de interesse da saúde, tais como médicos, nutrólogos, fisioterapeutas, engenheiros clínicos, farmacêuticos, empresas de equipamentos médicos etc. Assim, as Comunidades de Saúde em Rede, quando bem estabelecidas mediante o consenso de todas as partes, conseguirão beneficiar o principal envolvido nesse processo todo: o paciente.

2 Comentários para este artigo

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  1. Taciana
    em 20/ out/ 2008

    Durante a I Conferência Nacional de Ética Médica, realizada em Brasília, os médicos e conselheiros de todas as regiões do país se reuniram para traçar as diretrizes do novo código de ética médica.

    Perguntamos o que poderá mudar, para o médico, com o novo código de ética. Confira as respostas e participe também das enquetes do Blog.
    http://falamedico.wordpress.com/

  2. Comunidade Saúde em Rede, soluções eficientes beneficiando pacientes e profissionais de saúde | Plugbr.net
    em 28/ nov/ 2008

    [...] consultor, que sempre deixa ótimos comentários aqui no blog, cita em um dos seus textos sobre as faces da comunidade de saúde em rede. “Em uma Comunidade de Saúde em Rede temos pacientes, médicos, executivos e outros [...]

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