Escrito em 4 de nov de 2008

Cultura humanizando a saúde

por Valdir Cimino

Viva e Deixe Viver

Os grandes avanços das ciências aplicadas à medicina e à saúde vêm trazendo uma série de transformações, nestes tempos de globalização. Finalmente os cidadãos têm percebido que a melhor forma de ajudar o mundo é partir para a solução dos problemas da sua comunidade, seja no bairro, na escola, na rua ou nos hospitais.

Com grande esperança numa sociedade mais digna é que assistimos a grupos de cidadãos se reunindo em busca de soluções para nossos problemas sociais, como é o caso da saúde e da cultura brasileira.

A cultura é um direito constitucional. Levá-la aos hospitais é possibilitar ao público daquele local o exercício da cidadania, já tão comprometida pelas suas condições físicas e psicológicas.

Não podemos fazer da lei letra morta. O Brasil possui uma importante base legal para proteger e melhorar as condições de vida da população, inclusive as das pessoas hospitalizadas. É função não só do Estado, como de toda a sociedade garantir esses direitos.

Nos hospitais da cidade de São Paulo, maior centro médico da América Latina, existem milhares de crianças e adolescentes hospitalizados. A grande maioria desse público sofre não só pela debilitada condição de saúde e dificuldades materiais, como pela exclusão da cultura e da educação. A necessidade de acompanhamento médico adequado implica, para alguns, a internação hospitalar por um longo período, impossibilitando que freqüentem escolas, centros culturais ou qualquer outro meio de acesso à cultura.

A carência cultural nos hospitais ainda é muito grande. Faz-se necessário um constante desenvolvimento de atividades artísticas e culturais, como alternativa ao triste ambiente hospitalar.

Pesquisa fundamentada pelos Fóruns de Humanização da Saúde e incentivada pelo Canal Conexão Médica aponta para a necessidade de olharmos com atenção para a formação do profissional da Saúde. É preciso acolher o paciente mostrando seus direitos e deveres, promover a prevenção das doenças e enfatizar a comunicação como elemento da gestão participativa.

Os artistas e voluntários têm encontrado um campo de atuação cada vez maior nos hospitais, diante do grande número de pacientes carentes de interações culturais. Muitas vezes, o local não oferece infra-estrutura adequada, mas isso não impede que esses grupos inovem e tenham hoje o reconhecimento de médicos, enfermeiros e administradores dos hospitais.

É necessário que esses grupos se integrem e criem meios para a melhor divulgação, estruturação e consolidação das suas práticas, trabalhando juntos pelo desenvolvimento cultural de seu público-alvo.

Esses grupos têm sido bem aceitos tanto pelas crianças como pela classe médica e equipe multidisciplinar, bem como pela própria administração dos hospitais. Essa receptividade tem possibilitado a consolidação do seu trabalho naqueles locais.

Para atingir seus objetivos e metas esses grupos têm investido principalmente na formação dos seus integrantes, sejam voluntários ou não. Esses grupos acreditam na capacidade transformadora de cada um dos membros como agentes multiplicadores da nossa cultura.

É necessária a avaliação periódica das práticas do grupo, para assegurar a qualidade dos serviços oferecidos à comunidade hospitalar. Oficinas, workshops e palestras têm sido ferramentas eficientes para o treinamento desses colaboradores. Todas as ações são válidas e contribuem para a disseminação de uma prática que irradia o bem indistintamente.

Valdir Cimino é Diretor Fundador da Associação Viva e Deixe Viver

1 Comentário para este artigo

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  1. Silvano Vilela
    em 4/ nov/ 2008

    Cimino, a estrutura, tanto física como administrativa anda tão deteriorada que se a sociedade não interferir, implementando estas práticas, as vida hospitalar tende a piorar cada vez mais, visto que os governos tanto federal como estadual, cada dia mais se distanciam as instituições das quais deveriam ser responsáveis, nos resta pedir ajuda a sociedade.

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