No último verão, a Febre Amarela voltou a freqüentar as manchetes de nossos jornais. Com o surgimento crescente de casos da doença, sobretudo na região centro-oeste, uma parcela da população reagiu à ameaça com pânico. Desse pessoal, alguns adotaram um raciocínio, no mínimo, peculiar:
“Bem, para que eu fique protegido contra essa doença, basta que eu tome uma vacina… Como um mais um é igual à dois, se eu tomar duas vezes essa mesma vacina, ficarei duplamente protegido contra a Febre Amarela, certo?!”
Errado.
No entanto, essa conclusão foi levada às vias de fato por muita gente. O resultado? Reações vacinais que resultaram na morte de algumas pessoas. O medo, aliado à desinformação, tirou a vida de cidadãos que sequer estiveram na mira do Aedes aegypti, mosquito causador da Febre Amarela.
De que maneira uma comunidade de saúde em rede poderia evitar esse tipo de tragédia? Simples. Bastaria que o responsável pela vacinação visualizasse o prontuário do cidadão, verificando o histórico de vacinas dele. Dessa forma, em um sistema universalizado, para todos os habitantes de uma comunidade, casos de revacinação sem necessidade poderiam ser evitados. Com a informação segura da última aplicação, o governo deixaria de gastar no tratamento das pessoas que sofreram reações vacinais. E, em última instância, vidas seriam poupadas.
No caso da Febre Amarela, de acordo com o Ministério da Saúde, a imunização é válida por dez anos e durante esse período, qualquer nova aplicação pode provocar reações de superdosagem, tais como dor de cabeça, febre e mal estar. Além disso, pessoas que estejam com baixa imunidade – como portadores de HIV – não podem receber aplicações da vacina. A mesma recomendação é válida para gestantes e bebês com menos de seis meses. Ou seja, ter as informações dos pacientes em rede ajudaria os agentes de saúde a orientá-los quanto à prevenção dessa doença.
Mais um verão se aproxima. Com isso, volta o fantasma da Febre Amarela, uma vez que o mosquito causador da doença encontrará novamente condições para que se reproduza. Agora, além de torcer para que os orgãos competentes estejam bem mais preparados, resta nos informarmos melhor a respeito dessa doença. Conferir com calma o material disponibilizado no site do Ministério da Saúde já pode ser um bom começo.
2 Comentários para este artigo
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em 21/ nov/ 2008
Quando aconteceu aquele fato, da febre amarela, comentei com meus colegas lá no hospital, falando essas mesmas palavras Dr. Leonardo, seria tudo tão simples, além disso o tal de trouxe carteira de vacinação? Não. Fazer outra, e mais outra, tem pessoas que tem 4, 5 carteira, cada vacina descrita em uma delas. Vai papel, tempo, dinheiro, e até vidas, como citou.
em 18/ jan/ 2009
[...] Dr. Leonardo tinha razão quando disse que o fantasma da febre amarela poderia atacar novamente, e a falta de um sistema integrado que identifique quem já tomou a vacina e quem deve ser [...]