Escrito em 13 de fev de 2009

Farmácias sem papel, você concorda?

por Fernando Vogt

Você já parou para pensar que estamos sempre correndo no dia-a-dia? Pois é, nesse ritmo, algumas situações, muitas vezes simples e óbvias, passam despercebidas em nossa vida agitada. Por exemplo, sempre que saímos de uma consulta médica carregamos um papel nas mãos: a receita recomendada pelo médico.

Parece algo incorporado à natureza da relação médico-paciente. É provável que, se houvessem médicos e farmácias na idade da pedra, os pacientes sairiam do consultório-caverna com um pedaço de rocha nas mãos, com a indicação dos medicamentos ali talhados – ou desenhados. Mas também não daria para mudar isso, certo? Afinal, como compraríamos os medicamentos na farmácia sem a receita com as recomendações escritas pelo médico? Dentro do conceito das comunidades de saúde em rede isso é possível.

“Mas como? Por telepatia? O médico mentalizaria para o farmacêutico tudo aquilo que seria necessário para a pessoa que está no balcão, é isso?”

De modo algum. Como a humanidade ainda está longe de dominar certas características extra-sensoriais, só nos resta um caminho: utilizar a tecnologia para facilitar a troca e o compartilhamento de informações entre diferentes profissionais. No caso aqui, o paciente pode ir até a drogaria da esquina comprar seus medicamentos sem papel algum, sem muitas complicações. Simples não? Para isso acontecer, basta que o estabelecimento tenha um sistema informatizado e integrado, que permita a visualização das informações contidas no prontuário eletrônico do paciente.

“Como assim? O atendente teria acesso a todos os dados de saúde daquela pessoa, da mesma forma que o médico?…histórico, diagnósticos, exames etc…”

Não, claro que não. No sistema da farmácia, apareceriam somente os medicamentos receitados, não mais do que isso, algo possível por meio de um cartão de saúde do cidadão. Através desse documento, muitas informações do paciente podem ser compartilhadas com segurança, em uma rede que poderá integrar os principais agentes do sistema de saúde nacional. A informação de que o paciente adquiriu os remédios receitados fica registrada direto no prontuário eletrônico dele. Assim, o médico integrado a essa rede informatizada teria condições de verificar se o tratamento está sendo seguido à risca, sabendo quando o paciente retirou o medicamento por ele prescrito. Parece o sonho dourado, não? Mas isso já acontece em algumas regiões do nosso país, como por exemplo no Hospital Samambaia em Brasília.

Controle melhor do que esse, apenas se inventarem um robô para colocar a pílula na boca da pessoa, nos horários certos.

E você? O que acha das Farmácias sem Papel?

1 Comentário para este artigo

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  1. silvano vilela
    em 6/ mar/ 2009

    Além disso poderíamos evitar erros de prescrição por interpretação equivocada no momento da aquisição do medicamento, já comentei em alguns textos no meu blog sobre este fato e tive comentários contra, de médicos e muitos a favor, mas uma coisa é clara e certa, os benefícios seriam enormes.

    Quanto ao robô não sei, mas uma cartela recarregável provida de sensor, que envia informação ao prontuário quando o comprimido é movido da cartela, já estou produzindo, o controle seria mais efetivo ainda. Vou patentear, hehe.

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