Escrito em 10 de mar de 2009

Uma mesma idéia

por Fernando Vogt

“Nós ainda estamos usando papel. Continuamos a preencher os mesmos documentos três vezes. As enfermeiras não conseguem ler as prescrições que os médicos redigiram. Por que não colocamos isso em um prontuário eletrônico, que reduzirá as taxas de erro e os custos do sistema de saúde?”

A primeira vista, muita gente poderia creditar essa declaração a algum dos autores do Comunidade de Saúde em Rede. Afinal, a questão do uso do papel em nosso sistema de saúde é uma proposta que já foi mencionada por aqui. Para dizer a verdade, até gostaríamos de ter como um de nossos autores o responsável pelas palavras ditas acima. Mas, infelizmente, isso não será possível, pois ele anda bem ocupado com o seu atual cargo e pelo desafio que tem pela frente. O nome dele? Barack Hussein Obama, presidente dos EUA, que fez essa declaração em seu discurso de posse, semanas atrás.

O discurso da principal autoridade da nação mais poderosa e influente do planeta revela uma tendência mundial: a necessidade de se implementar alta tecnologia ao setor de saúde, algo que já vem sendo feito no Brasil, um País considerado “emergente”. O Sistema de Saúde Pública do Distrito Federal é um bom exemplo disso, pois conta com um sistema totalmente informatizado, no qual o uso de papel tornou-se algo do passado. Ou seja, uma ótima referência para endossar o discurso do presidente dos Estados Unidos. Aliás, que autoridade pública ignoraria a importância de um sistema que, dentre tantos benefícios, ainda é capaz de proporcionar economia de medicamentos e melhorar a qualidade no atendimento ao paciente?

O modelo inovador do Governo do Distrito Federal chamou a atenção dos países vizinhos, que decidiram seguir o mesmo caminho. No Chile, por exemplo, outra nação considerada em desenvolvimento, foi implementado um sistema informatizado que integrará toda a rede de saúde pública do país. Um modelo que, mais uma vez, pode servir de parâmetro para o projeto que as autoridades estadunidenses pretendem colocar em prática. O fato é que o Brasil, com o projeto de Saúde Conectada do Distrito Feredal, tornou-se uma vitrine e está exportando conhecimento e práticas avançadas na área de gestão de saúde.

Ao vermos que o presidente norte-americano colocou a questão da informatização na saúde pública como uma das prioridades de sua administração, podemos concluir com satisfação: estamos no caminho certo. E, de alguma forma, o presidente Obama acabou se tornando uma espécie de parceiro nosso. Bem, pelo menos nas idéias, o que não é pouco, concorda? Yes, we can!

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