
É bem provável que você tenha uma farmácia particular na sua casa, que é aquele canto do armário sempre lembrado em ocasiões como gripe, enxaqueca, cólicas e demais sintomas e doenças. Nem tudo costuma ser consumido ali, como aquele antibiótico que só foi necessário meses atrás e teve o lixo como destino final, por causa do prazo de validade vencido.
O cidadão que não aceita esse tipo de desperdício busca por alternativas. Uma delas é a compra de determinados medicamentos de modo fracionado na farmácia. Ou seja, ao invés de, por exemplo, adquirir cartelas de comprimidos a mais sem necessidade, o indivíduo leva para casa apenas o que irá consumir de acordo com o tratamento prescrito pelo médico. Infelizmente, o fracionamento ainda é um hábito ignorado pela grande maioria da população, principalmente por causa da desinformação.
Algumas instituições de saúde estão bem conscientes a respeito do desperdício de medicamentos. Recentemente, o Hospital das Clínicas lançou uma campanha bem interessante. Nela, os pacientes são orientados a devolver a sobra daqueles remédios que foram levados para casa mas que, devido ao término do tratamento, não foram mais utilizados. Dessa maneira, outras pessoas são beneficiadas pelo gesto, além de possibilitar uma boa economia para a instituição.
E quanto aos gestores de nosso sistema público? Será que eles têm esse tipo de preocupação também, de não permitir que os remédios de hospitais e demais unidades de saúde terminem no lixo por causa da validade vencida?
Ainda são frequentes as notícias sobre o desperdício de medicamentos no setor público brasileiro. Toda a sociedade perde com isso, do paciente, que fica sem um tratamento adequado, aos cofres dos governos envolvidos, que acabam amargando prejuízos. Existe também o comprometimento político da administração vigente, que fica bem difícil de reverter diante da exposição que isso costuma provocar na mídia.
Os mais céticos costumam afirmar que esse é o padrão brasileiro. No entanto, o nosso país conta com experiências que mostraram-se bem sucedidas quanto ao gerenciamento do estoque de medicamentos em unidades públicas de saúde. Em uma delas, a economia alcançou 74% em injetáveis e 70% em comprimidos, graças a um sistema informatizado de gestão que conseguiu integrar as informações de hospitais e demais unidades de saúde. Com isso, foi possível diminuir a quantidade de compra e as perdas ocasionadas por desvio ou prazo de validade.
E daqui por diante, será que veremos o crescimento de exemplos como o demonstrado acima? Caso os governantes comecem a pensar mais como aquele cidadão que não admite acúmulo de medicamentos vencidos na sua farmácia particular, a perspectiva é animadora. Fiquemos de olho então, para que o prazo de validade dessa intenção continue longe de expirar.
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em 26/ abr/ 2010
[...] Tirado daqui [...]