
Toda nação tem os seus motivos de orgulho. No caso da Dinamarca, um dos orgulhos mais célebres atende pelo nome de Hans Christian Andersen, o escritor mundialmente famoso por suas obras infantis, dentre elas “O Patinho Feio.” Atualmente, a sociedade dinamarquesa ganhou mais uma referência de peso, digna também de exportação: o sistema público de saúde, considerado o mais avançado do mundo quanto a tecnologia da informação.
De acordo com uma reportagem publicada recentemente pelo The New York Times, o cidadão dinamarquês é beneficiado por uma estrutura que ainda é considerada utopia na maioria dos países. Para se ter uma ideia, em alguns casos, o paciente consegue consultar seu médico pela internet. Isso mesmo, sem sair de casa, com o auxílio de uma webcam e demais equipamentos que possibilitam a captação direta de determinados dados fisiológicos (como sangue, pressão, temperatura) do indivíduo. Essas informações, por sua vez, são cadastradas pelo médico no registro eletrônico do paciente, que pode ser acessado por outros médicos também.
O papel não é utilizado em nenhum momento desse processo, inclusive na hora de retirar o medicamento na farmácia, que também está integrada nessa rede, iniciada há dez anos no país. Tudo isso confere uma economia média aos médicos de 50 minutos de trabalho administrativo por dia. No aspecto financeiro, segundo um relatório publicado em 2008 pela Sociedade de Sistemas de Gestão e Informação de Atendimento de Saúde (HIMSS), o uso da tecnologia da informação causou uma economia anual de US$ 120 milhões ao sistema de saúde dinamarquês.
Algumas características da Dinamarca facilitaram a implementação desse modelo de gestão, totalmente digitalizado e integrado. Uma delas é o pequeno tamanho do país, que possui uma área equivalente a determinados estados do Brasil ou dos EUA. Isso resulta em uma demanda bem menor de mão-de-obra e infraestrutura, se comparada a uma nação continental feito a nossa. Outro fator que ajuda é a forma como o sistema de saúde dinamarquês é regulamentado, sem estados com leis independentes, como nos EUA.
Apesar de ter consciência dessas particularidades, integrantes da equipe de saúde do governo Obama estão de olho no modelo da Dinamarca. Afinal, por mais que haja diferenças entre um país e outro, sempre existirão ideias possíveis de se adaptar ao modelo norte-americano, que atualmente passa por um processo de reforma.
E aqui no Brasil? É possível implementar uma gestão digitalizada e integrada por todo o território? Qual é a sua opinião sobre isso? Diante da saúde dinamarquesa, o nosso futuro estará mais para cisne ou patinho feio? Considerando-se algumas experiências bem sucedidas por aqui, acreditamos na primeira opção.

Submeter-se a um exame médico não é uma tarefa agradável para o paciente, seja lá o que estiver sendo avaliado. Afinal, por menos invasivo que seja o procedimento, como um simples raio X, é uma tarefa que exige sacrifício tanto de tempo quanto de deslocamento do indivíduo. No entanto, alguns pacientes sentem essa experiência de forma mais amarga ainda, quando precisam refazer tudo. E sem necessidade.
Uma nova ida ao laboratório de análises clínicas? Isso mesmo. Pode acontecer de, no espaço de poucos dias, diferentes médicos de especialidades distintas pedirem um determinado exame para o mesmo paciente. Se o indivíduo guardou com ele os resultados, sem problemas: basta apresentá-los na segunda consulta, feita com o outro profissional. Mas nem todos conseguem ter em mãos esses documentos, por inúmeras razões, como:
- Perda do exame original pelo paciente.
- Permanência do original com o primeiro médico. O paciente não pede uma segunda via, seja por vergonha ou por desconhecer essa possibilidade mesmo.
Esse tipo de situação, do cidadão precisar refazer um exame no intervalo de poucos dias, acontece bastante em redes de saúde que não possuem um sistema totalmente integrado. No Brasil, já existem iniciativas na esfera pública que permitem, dentre outros benefícios, que o resultado de um exame seja visualizado, online, por diferentes médicos. Além de poupar o tempo de muitos pacientes, isso garante também economia para os cofres públicos. Afinal, exame com custo zero é algo que jamais vai existir, certo?
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A informatização do sistema de saúde continua se mostrando como a melhor aliada dos gestores do segmento. Felizmente, é um caminho sem volta, em que são frequentes as notícias de locais que iniciaram esse processo, como aconteceu recentemente na cidade de Rio Claro, cujos AMEs (Ambulatório Médico de Especialidades) agora contam com um sistema de prontuário eletrônico e gestão clínica informatizada.
E na sua cidade, como anda a gestão da saúde? Digitalizada ou no papel?














