Escrito em 28 de jan de 2010

Podemos nos tornar uma Dinamarca na gestão de saúde?

por Johnny Systems

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Toda nação tem os seus motivos de orgulho. No caso da Dinamarca, um dos orgulhos mais célebres atende pelo nome de Hans Christian Andersen, o escritor mundialmente famoso por suas obras infantis, dentre elas “O Patinho Feio.” Atualmente, a sociedade dinamarquesa ganhou mais uma referência de peso, digna também de exportação: o sistema público de saúde, considerado o mais avançado do mundo quanto a tecnologia da informação.

De acordo com uma reportagem publicada recentemente pelo The New York Times, o cidadão dinamarquês é beneficiado por uma estrutura que ainda é considerada utopia na maioria dos países. Para se ter uma ideia, em alguns casos, o paciente consegue consultar seu médico pela internet. Isso mesmo, sem sair de casa, com o auxílio de uma webcam e demais equipamentos que possibilitam a captação direta de determinados dados fisiológicos (como sangue, pressão, temperatura) do indivíduo. Essas informações, por sua vez, são cadastradas pelo médico no registro eletrônico do paciente, que pode ser acessado por outros médicos também.

O papel não é utilizado em nenhum momento desse processo, inclusive na hora de retirar o medicamento na farmácia, que também está integrada nessa rede, iniciada há dez anos no país. Tudo isso confere uma economia média aos médicos de 50 minutos de trabalho administrativo por dia. No aspecto financeiro, segundo um relatório publicado em 2008 pela Sociedade de Sistemas de Gestão e Informação de Atendimento de Saúde (HIMSS), o uso da tecnologia da informação causou uma economia anual de US$ 120 milhões ao sistema de saúde dinamarquês.

Algumas características da Dinamarca facilitaram a implementação desse modelo de gestão, totalmente digitalizado e integrado. Uma delas é o pequeno tamanho do país, que possui uma área equivalente a determinados estados do Brasil ou dos EUA. Isso resulta em uma demanda bem menor de mão-de-obra e infraestrutura, se comparada a uma nação continental feito a nossa. Outro fator que ajuda é a forma como o sistema de saúde dinamarquês é regulamentado, sem estados com leis independentes, como nos EUA.

Apesar de ter consciência dessas particularidades, integrantes da equipe de saúde do governo Obama estão de olho no modelo da Dinamarca. Afinal, por mais que haja diferenças entre um país e outro, sempre existirão ideias possíveis de se adaptar ao modelo norte-americano, que atualmente passa por um processo de reforma.

E aqui no Brasil? É possível implementar uma gestão digitalizada e integrada por todo o território? Qual é a sua opinião sobre isso? Diante da saúde dinamarquesa, o nosso futuro estará mais para cisne ou patinho feio? Considerando-se algumas experiências bem sucedidas por aqui, acreditamos na primeira opção.

1 Comentário para este artigo

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  1. Henriques
    em 28/ jan/ 2010

    Acredito que irá ocorrer, em algum momento, a popularização de algumas tecnologias. Mas enquanto tivermos graves problemas de infra-estrutura dentro dos próprios hospitais (principalmente os filantrópicos), não chegaremos a este cenário.
    Talvez um modelo que permita a adesão de pequenos hospitais como modelo sim, mas ainda é um longo caminho a se percorrer.

    Re: Olá, Henriques. De fato, ainda existe um longo caminho. Como vc mencionou, problemas graves de infra-estrutura é um fator a ser considerado. No entanto, é sempre bom sabermos que, dentro de nosso país existem pequenas ilhas de excelência nesse sentido. De alguma forma, quanto mais referências tivermos – ainda mais em nosso país – melhor.

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