
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conseguiu aprovar o projeto de lei que propõe a reforma do sistema de saúde em seu país. No dia 23 desse mês o texto principal do projeto foi convertido em lei. O objetivo dela é garantir que 95% da população norte-americana com menos de 65 anos possua cobertura de saúde – os Estados Unidos possuem mais de 300 milhões de habitantes. O pacote de reforma do sistema de saúde tem um custo estimado de US$ 940 bilhões – distribuídos em dez anos. Porém, há algumas questões envolvidas.
Agora que a novela sobre a saúde norte-americana parecia estar nos últimos capítulos, os republicanos conseguiram eliminar dois itens da lei. Ambos, que se referem a bolsas de estudos para estudantes de baixa renda, violavam as regras orçamentárias. Por isso, o texto retornará à Câmara dos Representantes – onde o projeto de lei foi aprovado – para outra votação.
Há um século, desde a presidência de Theodore Roosevelt (1901-1909), é discutida a cobertura de saúde nos Estados Unidos, com muitos presidentes tentando reformá-la, porém sem sucesso. Apesar dos esforços de alguns democratas, a história não chegará ao fim tão cedo. O projeto de lei deverá ser votado novamente e, enquanto isso, Obama viajará pelo país explicando a importância dele para a população. Uma pesquisa da Gallup mostra que 49% dos americanos apóiam a medida, enquanto 40% a rejeitam.
Os Estados Unidos é o único país desenvolvido que não disponibiliza um sistema de saúde amplo para seus cidadãos. Estima-se que aproximadamente 46 milhões de americanos não possuam cobertura médica de qualidade. Os idosos são atendidos por um sistema chamado Medicaire e os menos afortunados pelo Medicaid. Além disso, os veteranos das Forças Armadas também são cobertos por um programa governamental. Porém, a maioria dos americanos precisa pagar seu próprio plano de saúde.
Após a lei ser sancionada, todos os americanos serão obrigados a manter um plano de saúde. Quem não possui plano pago pelo empregador e as pessoas que não conseguirem arcar com o custo poderão ter subsídio do governo – uma espécie de “bolsa-saúde”. Além disso, a lei regulamentará de forma mais rígida as seguradoras e diminuirá os impostos cobrados dos planos de seguro-saúde de alto custo. Outra novidade é que as empresas também não poderão negar apólice com base em doenças preexistentes.
Resta saber se a população gostará do novo sistema e se a sanção da lei aumentará a aceitação do presidente pela sociedade americana. Segundo pesquisa feita pela Universidade de Quinnipiac, Barack Obama registrou o mais baixo índice de aprovação até o momento, com 45%. Mesmo assim, se a lei for aprovada novamente, o que deve acontecer em abril, será uma vitória política para o presidente. Afinal, uma de suas principais promessas era reformar o sistema de saúde dos Estados Unidos. Afinal, “Yes We Can” era seu lema na campanha presidencial.
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“8 motivos para não tomar a vacina da H1N1”, é o título de um dos inúmeros e-mails que enchem as caixas de entrada de usuários brasileiros. Nesse e-mail, entre as razões para não tomar a vacina, duas se destacam: 1) A vacina H1N1 contém mercúrio – a segunda substância mais perigosa do planeta depois do urânio; 2) O mercúrio em outras vacinas está ligado à epidemia de autismo entre crianças. Alexander Roberto Precioso, diretor de ensaios clínicos do Instituto Butantan, disse que a quantidade de mercúrio nessa vacina é muito pequena, considerada não prejudicial à saúde. Em entrevista ao Jornal Nacional, também explicou que é impossível afirmar que o mercúrio causa autismo. Assim, quem trabalha com ciência, medicina e pesquisas se pergunta: por que as pessoas acreditam nessas falsas informações apesar de autoridades – médicas e governamentais – afirmarem o contrário?
Na busca de uma maneira para manter as pessoas bem informadas, o blog Ceticismo Aberto, baseando-se em pesquisas científicas, concluiu que é melhor fazer uma afirmação completamente nova, sem referência ao mito, do que contrariar o que já foi difundido. Seguindo essa linha de pensamento, o biólogo Carlos Hotta publicou em seu blog um “spam” a favor da vacinação. Entre os motivos listados justificando a vacina está: “Você pode até sobreviver à H1N1, mas poderá contaminar outras pessoas que não terão essa sorte”. Esses blogs são mantidos por pessoas que entendem sobre o assunto e pesquisaram em fontes científicas para escrever. Porém, a quantidade de informações sem fundamento que povoa a internet é incontável. Tanto que a Federação Nacional dos Médicos (FENAM) cogitou criar uma certificação médica para sites e blogs. Desse modo, os internautas poderiam ter certeza de quais sites ou blogs são escritos por um profissional registrado em um dos Conselhos de Medicina.
Enquanto essa ideia não é colocada em prática, as pessoas se deparam com um novo problema. É comum voltar de uma consulta médica e acessar o Google para pesquisar mais sobre o que o médico disse. Para conseguir acrescentar algo ao que foi dito no consultório, é necessário um pouco de conhecimento científico, além de conseguir reconhecer quais são os sites confiáveis e os que não são.
No entanto, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro, 28% da população brasileira entre 15 e 64 anos é analfabeta funcional. Dessas, algumas conseguem até ler, mas não sabem interpretar um texto. Mais, o estudo constatou que apenas 68% das pessoas que chegaram ao ensino superior dominam, plenamente, as habilidades de leitura, escrita e matemáticas. O fato de estar na faculdade não garante uma pessoa bem informada. Assim, a pesquisa mostra que boa parte da população provavelmente terá dificuldade em distinguir o que é falsamente difundido do que realmente aparenta conter informações corretas.
Para manter o paciente bem informado, os médicos dizem sofrer. Em um caso extremo, claro, uma paciente engravidou, pois dava as pílulas anticoncepcionais para o marido tomar. Não conseguiu entender que o médico disse que era para ela tomar. Em outro caso, o paciente quase desistiu de fazer o tratamento contra o câncer. Isso porque a família considerava a radioterapia “muito pesada” e sem resultados “eficientes” para livrar o paciente para sempre da doença. Ao pesquisar sobre o câncer na internet, as informações mais catastróficas – nem todas comprovadas cientificamente – foram as que prevaleceram no imaginário desses parentes, que decidiram pelo não-tratamento do paciente. “Existe tanta informação na internet que vamos acabar nos sentindo um pouco naufragando nesse mar de conteúdo”, disse André Pereira, historiador da Fiocruz, citando o filósofo Pierre Lévy.
Com todos esses exemplos, pode-se deduzir que a discussão sobre a vacinação contra o vírus H1N1 deve continuar até o final da campanha, em maio. Sobre a campanha de vacinação em si, a população ao menos consegue encontrar informações confiáveis no site do próprio Ministério da Saúde, no blog Influenza A (H1N1) e aqui na Comunidade de Saúde em Rede. Por isso, é necessário muito cuidado na hora em que se recebe uma informação por email. Vale a pena conferir os portais de notícias, assim como os canais oficiais do governo.
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Antigamente era comum as pessoas recorrerem aos boticários. Ao sentir uma fisgada, uma dor de cabeça ou algo rotineiro bastava ir à farmácia. Contava-se ao conhecido farmacêutico o problema e era possível sair de lá com um remedinho milagroso. Simples e confiável assim. Se o caso fosse mais complexo, o “médico de família” entrava em ação.
Com o crescimento das cidades, o aumento das drogarias de rede e a perda daquele sentimento de se viver em comunidade, os farmacêuticos de família praticamente desapareceram. No lugar das boticas, apareceram as farmácias repletas de prateleiras cheias com todo o tipo de medicamento, acessíveis para quem quiser. Não raro, recorremos aos nossos próprios conhecimentos, ouvidos de alguma dica ou baseados em propagandas. Passamos entre as gôndolas com uma cestinha, como se estivéssemos no supermercado.
Mas essa automedicação pode ser um veneno. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), cerca de 20 mil pessoas morrem no Brasil, todo ano, vítimas da automedicação. Em busca de cura, os usurários podem acabar se intoxicando ou ter reações alérgicas. Por isso, em agosto de 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a resolução RDC 44/09, que começou a vigorar há cerca de um mês.
A resolução determina que os medicamentos não podem ficar ao alcance das mãos de qualquer um em farmácias e drogarias. Até os produtos isentos de prescrição médica deverão ficar atrás do balcão. O paciente precisa pedir ao farmacêutico o remédio e, dele, receber o medicamento, assim como a orientação necessária para utilizá-lo. Apenas produtos de perfumaria, fitoterápicos e sujeitos a notificação simplificada – como água boricada e glicerina – estão liberados nas gôndolas.
Outra norma que entrou em vigência é que as farmácias devem ter espaço para prestar serviços como medir o nível de açúcar no sangue. O farmacêutico poderá, por exemplo, monitorar a pressão arterial para saber se a medicação para controle dela está fazendo efeito. Inclusive, pode administrar medicamentos injetáveis e inalatórios. O comércio pela internet também tem normas definidas: todas as farmácias online deverão existir fisicamente. Além disso, deverão deixar nome e telefone do farmacêutico de plantão para possível atendimento.
No entanto, algumas farmácias e drogarias reclamaram da medida. O receio é de que caiam as vendas de remédios, diminuindo o lucro por disponibilizar apenas produtos referentes à saúde – e não ser mais um pequeno mercado – e aumente o gasto com profissionais mais preparados. Alguns estabelecimentos conseguiram até liminar contra as novas medidas. Mesmo assim, o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP) já discutia há mais de dois anos essas práticas. Por isso, os diretores da instituição enfatizam que a população será a principal beneficiada.
O que isso significa na prática para o paciente / cliente? Segundo o CRF-SP, o usuário terá garantido o direito à orientação do farmacêutico ao adquirir medicamentos isentos de prescrição, além de frequentar um estabelecimento responsável que não comercializa qualquer tipo de produto. Além disso, se as farmácias implantarem sistemas com prontuário eletrônico, cadastro do paciente e receituário eletrônico, o farmacêutico de família poderá voltar no formato 2.0! Se o estabelecimento fizer um cadastro do cliente, registrar todos os remédios e serviços adquiridos por ele, até as drogarias de rede poderão oferecer um atendimento personalizado em qualquer parte da cidade, até mesmo do Brasil.
A nova medida é chamada pela Anvisa de “Boas Práticas Farmacêuticas”. A princípio, pode ser que as farmácias e drogarias tenham um lucro menor. Mas, após os investimentos, elas terão a oportunidade de fidelizar o cliente, principalmente, usando as ferramentas hoje disponíveis. Se perceberem isso, todos – estabelecimentos e usuários – poderão sair ganhando. Será como ter aquele antigo farmacêutico de família de volta, porém com todas as facilidades que a tecnologia atual permite.
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Em busca de uma assistência médica de melhor qualidade, cerca de 44 milhões de pessoas possuem planos de saúde no Brasil, dado da Secretaria de Comunicação Social da República. Esse número corresponde a mais de um quarto da população. Mesmo pagando por impostos que deveriam garantir uma saúde pública de qualidade, essas pessoas desembolsam mais um pouco e ainda se veem à deriva de uma queda de braços: médicos versus plano de saúde. Às vezes, essa relação é harmônica. Outras vezes, conflituosa. Mas como fazer com que esses altos e baixos não afetem os pacientes?
A questão entre médicos e planos de saúde possui várias facetas. Os médicos recém-formados encontram nos planos de saúde a chance de aumentar o número de pacientes. Os planos de saúde precisam de médicos competentes para obter – e manter – seus clientes. Alguns médicos reclamam que os planos remuneram pouco pela consulta. A maioria dos profissionais com clínica atende mais pacientes por meio do convênio do que de modo particular.
De acordo com o artigo “Médicos versus planos de saúde”, do Dr. Drauzio Varella, mais de 97% dos médicos que prestam serviços recebem de R$ 8 a R$ 32 dos planos de saúde por consulta. “Façamos a conta: a R$ 20 em média por consulta, para cobrir os R$ 5.179,62 é preciso atender 258 pessoas por mês. Como cerca de metade delas retorna com os resultados, serão necessários: 258 + 129 = 387 atendimentos mensais unicamente para cobrir as despesas obrigatórias. Como o número médio de dias úteis é de 21,5 por mês, entre consultas e retornos deverão ser atendidas 18 pessoas por dia!”, calculou o médico.
Para manter o consultório, é comum os profissionais dividirem o endereço ou a mesma sala – em horários diferentes – com colegas. Desse modo, a locação, o pagamento de recepcionistas e faxineiros, as contas de água e luz e os demais gastos diminuem para cada médico. Outra opção, como Varella diz no texto citado, é atender o maior número de pacientes por dia. Existem casos em que as consultas são marcadas a cada 15 minutos. Nesse tempo, o profissional precisa conversar com o paciente, fazer os exames físicos, solicitar possíveis exames complementares e anotar as informações sobre a consulta.
Dessa pressa pode nascer a insatisfação por parte dos pacientes. Uma cena comum é a de ser atendido em um consultório em menos de dez minutos. Ao entrar na sala, o médico logo pede para o paciente sentar-se e apresentar sua “queixa”. O profissional, enquanto isso, observa o paciente e prescreve um remédio. Outro problema acontece quando o paciente espera demais – existem casos de até duas horas – porque a consulta está atrasada. O número de pacientes é tão grande que o médico não consegue manter o horário marcado. “Os responsáveis pelos planos de saúde alegam que os avanços tecnológicos encarecem a assistência médica de tal forma que fica impossível aumentar a remuneração sem repassar os custos para os usuários já sobrecarregados”, escreveu Varella.
A empresa de pesquisa de mercado GfK Brasil realizou um estudo sobre a satisfação da população com relação aos serviços de saúde. Foram ouvidas mil pessoas das classes A até D, de 12 capitais e regiões metropolitanas do Brasil. Em um caminho ao comentado anteriormente, o resultado apontou que, atualmente, 45% dos entrevistados possuem plano de saúde ou convênio médico. A média de satisfação dos assegurados foi 7,54 – em uma escala em que 0 corresponde à extrema insatisfação e 10 absoluta satisfação.
No dia 7 de junho, começa a valer a resolução nº. 211 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o que deve levantar novas discussões sobre o assunto. Ela inclui 70 novos tratamentos médicos e odontológicos como obrigatórios na cobertura dos planos de saúde. Essa nova norma deverá ser aplicada a todos que possuem contratos celebrados a partir de 2 de janeiro de 1999, data em que entrou em vigor a Lei nº 9.656/98, que regulamentou o setor. Entre as novas coberturas estão o implante de marca-passo multissítio – para melhorar a dinâmica da contração do coração em casos de insuficiência cardíaca grave –, além de mais de 20 tipos de cirurgias torácicas por vídeo, colocação de coroa unitária e bloco – no que diz respeito ao tratamento odontológico.
Mas quem arcará com os gastos? “Considerando que as empresas de planos de saúde exercem atividade econômica lucrativa, existem apenas duas opções: haverá o reajuste do valor dos contratos, para incluir os novos procedimentos, ou seja, será repassado aos consumidores o aumento dos gastos”, explica Mariana Fideles, advogada de Direito Cível do escritório Valentim, Braga e Balaban Advogados. “A outra possibilidade é que ocorrerá a decadência da qualidade do serviço prestado, com as seguradoras contratando profissionais de menor capacidade e adquirindo instrumentos e equipamentos de menor qualidade. Em ambos os casos, os que sofrerão diretamente serão os consumidores, restando a eles pagar mais caro pela cobertura ou ter à disposição um serviço de pior qualidade”, completa.
Dante Montagnana, presidente do Sindicato dos Hospitais do Estado de São Paulo (SINDHOSP), apresentou sua preocupação, no jornal publicado em janeiro pela entidade. “Para 2010, os maiores desafios que já se apresentam estão ligados a projetos de lei que podem trazer um impacto econômico-financeiro enorme para as instituições de saúde”, disse. “Os poderes Executivo e Legislativo precisam conhecer com detalhes o funcionamento dos vários setores da economia para que não aprovem leis que podem inviabilizar muitas empresas”, afirmou Montagnana. No entanto, segundo um release da Secom, a regulação busca a integração entre procedimentos e sua forma de utilização, visando à segurança dos pacientes e aprimoramento da prática médica.
Esse embate entre médicos e planos de saúde parece estar longe de ter uma solução. Ao contrário, a nova norma colocará mais peças no quebra-cabeça. Talvez a medida mais sensata seja, como consumidor, exigir um atendimento melhor. Como médico, buscar uma qualidade mais digna de trabalho. Como empresa – planos de saúde –, levar discussão para o governo, profissionais e sociedade, na tentativa de encontrar um remédio. Receita pronta não existe. Porém, jamais se deve empurrar o problema para aquele que mais necessita de soluções.

Quem nunca foi à primeira consulta – independente da especialidade – e desistiu de seguir o recomendado simplesmente por não gostar de alguma atitude ou do próprio profissional? Não que esse determinado profissional não tenha competência suficiente. Nessa questão, o mais importante fracassou: a relação médico-paciente. As explicações para esse insucesso podem ser inúmeras: falta de empatia, insegurança com relação ao profissional ou não gostar das atitudes do médico.
Um estudo publicado no jornal científico Archives of Internal Medicine tentou identificar essas dificuldades. Pesquisadores americanos analisaram 426 relações entre médicos e pacientes nos Estados Unidos. Os médicos entrevistados tinham entre 29 e 89 anos – 44% eram do sexo feminino, 22% de minoria ou grupos étnicos e os demais eram homens caucasianos. Com o estudo, descobriu-se que as médicas jovens têm mais chance de encontrar problemas nessa relação profissional-paciente. Do outro lado, 14% dos médicos frequentemente recebem pacientes com expectativas irreais para seus problemas. Muitos querem tomar remédios, mas sem ter necessidade.
Respectivamente, a causa pode ser preconceito por parte dos pacientes. Pode ser falta de tato por parte dos médicos. Ou de informação sobre doenças pelos pacientes. Mas é difícil descobrir uma solução que se encaixe em todas essas relações. Buscando uma diretriz, o American College of Physicians (ACP, na sigla em inglês) – segundo maior grupo médico americano com 129.000 membros – publicou um artigo sobre o tema. Ele traz um guia de orientação para a relação médico-familiar e paciente, possível de ser aplicado em todas as situações. Por exemplo, o guia afirma que: o respeito pela dignidade do paciente deve nortear todas as relações, o médico deve ser acessível e precisa compreender os desejos do paciente.
E a tecnologia? Ela pode ajudar?
A resposta é… Sim! Ela parecia informal, pois quando se pensa em tecnologia, imagina-se um computador ou uma máquina fazendo suas análises programadas sozinhos. Sem entrar na discussão de que essas análises foram pensadas por alguém, o médico pode utilizar softwares destinados a consultórios para facilitar a relação com o paciente. Como citado nesse post, programas de computador agilizam o atendimento. Consequentemente, eles suavizam o relacionamento médico-paciente. Para o paciente, tal agilidade pode ser sinônimo de organização, profissionalismo e respeito. Com isso, o paciente não chega estressado à sala do médico, que pode ter uma melhor qualidade de vida em seu trabalho, gerando fluidez ao encontro.
Outro braço da tecnologia que, indiscutivelmente, facilita a comunicação é o exame complementar. Geralmente, o atendimento no consultório é dividido, primeiro, em história clínica do paciente e em seguida, no exame físico feito pelo médico. Desse modo, em cerca de 80% dos casos, o profissional consegue elaborar hipóteses diagnósticas. Para confirmar – ou descobrir – o problema, o médico recorre aos exames complementares – muitas vezes de alta geração, como a tomografia computadorizada que produz imagens em 3D. Quando seguida essa sequência com paciência por ambas as partes, a chance de sucesso na relação e em resolver o problema do paciente é grande.
O paciente e o médico precisam apenas perceber que a tecnologia não substitui a saudável relação entre ambos. “Quem sabe, ao necessitarmos de um atendimento, seremos analisados por um equipamento que nos mapeie da cabeça aos pés e nos possibilite conhecer imediatamente qualquer alteração patológica de nosso organismo, seguido da melhor orientação terapêutica possível. Felizmente, sempre será uma máquina e faltará algo essencial à manutenção da vida: o relacionamento humano”, escreveu o médico e pesquisador Paulo Bezerra de Araújo Galvão no artigo “Tecnologia e medicina: imagens médicas e a relação médico-paciente”.
Tudo que se refere à relação interpessoal parece ser mais complicado. Mais difícil ainda quando o médico é escolhido, na maioria das vezes, em um livro de planos de saúde ou indicado pelo SUS. Sem saber o que esperar um do outro, médicos e pacientes devem seguir sua intuição (cientificamente comprovada) e o bom senso. Vale também, e com bom humor, lembrar do jargão de Chacrinha: “Quem não se comunica, se estrumbica!”.
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PS: Clique aqui e leia também um relato bem interessante que o Dr. Health fez sobre informatização na saúde, publicado na Revista Papo de Homem.
Você vai ao médico. Descobre que deve fazer um tratamento, tomar algum remédio ou que possui alguma doença. Qual a primeira ação ao navegar na internet? Entrar nos sites de busca para encontrar mais informações sobre o problema. Informações que poderão ser corretas – ou não – dependendo do site pesquisado.
Assim, alguns profissionais viram nas redes sociais uma ferramenta única para orientar os pacientes. Existem mais de 100 delas, em mais de vinte línguas. As mais populares, atualmente, no Brasil são: Facebook, Twitter, Orkut, MySpace e LinkedIn. Só que, para auxiliar a saúde, seu uso ainda está engatinhando no Brasil.
Elizabeth Han, engenheira biomédica da Universidade de Toronto, nos Estados Unidos, vai mais longe. Em seu blog, ela sugere que as pessoas com as mesmas condições médicas “tuítem” sobre um tema usando uma tag – palavra-chave escrita usando o símbolo “#” seguido por determinadas letras. Mas para quê?
Durante a reunião de um grupo de apoio, o profissional que conduz o encontro pode debater os sentimentos postados no Twitter ao longo dos dias. Fora do horário das reuniões, as pessoas podem buscar apoio umas nas outras, usando as redes sociais. Além disso, o material postado pode fornecer dados para estudos sobre o comportamento humano.
No Canadá, dois pesquisadores publicaram um artigo científico sobre a análise dos tweets durante o surto de gripe suína, em 2009. Entre os dias 28 de abril e 11 de maio de 2009, Cynthia Mei Chew e Gunther Eysenbach, da Universidade de Toronto, Canadá, arquivaram mais de 300 mil tweets contendo as tags: “swine flu”, (gripe suína) e “H1N1”.
A análise preliminar de 400 tweets mostrou que 46% deles compartilhavam informações comuns sobre o tema, 36% citavam notícias ou links e 19% eram sobre educação pública em saúde. Somente sete casos apresentavam desinformação. Conclusão dos pesquisadores: “O serviço está sendo utilizado para distribuir notícias e informações de fontes confiáveis”.
Assim, o Twitter pode ser uma importante ferramenta para auxiliar pacientes e direcionar os profissionais da saúde. No inverno do ano passado, quando o vírus da gripe H1N1 se alastrava pelo Brasil, o Ministério da Saúde dispunha todos os dias atualizações sobre a doença no seu perfil do Twitter. Todos podiam acompanhar os dados oficiais e tirar dúvidas sobre a doença. Além disso, o Ministério também mantém um formulário de perguntas online, o Formspring, respondendo às dúvidas dos cidadãos.
O neurologista Ricardo Afonso Teixeira, que mantém o blog ConsCiência no Dia-a-Dia, no ano passado inaugurou seu perfil no Twitter. De acordo com o médico, seu objetivo na internet é “a difusão das mais recentes publicações científicas em saúde que tenham impacto direto no dia a dia das pessoas, com linguagem acessível e forte enfoque na saúde preventiva”. Ele posta no Twitter dicas relacionada às novidades na sua área. Como, por exemplo, um estudo que descobriu que o glaucoma – aumento da pressão intra-ocular – começa no cérebro e não no olho, como se imaginava.
E o que as pessoas leigas, sem vínculos com grupos e hospitais, ganham com isso? Do outro lado da tela, os parentes, amigos ou os próprios pacientes encontram informações confiáveis e um modo de tirar certas dúvidas, além do apoio de outras pessoas que sofrem com o mesmo problema. É comum os pacientes debaterem entre si sobre soluções encontradas, dicas e alternativas. Dessa forma, é possível amenizar um pouco dessa angústia. Consequentemente, muitos pacientes acabam respondendo melhor aos tratamentos.
Sabendo disso, o Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) e o Hemocentro de Ribeirão Preto entraram no Facebook. O primeiro possui um grupo onde as pessoas participam com fotos e mensagens. O segundo criou um perfil próprio, onde escreve sobre suas atividades. No Orkut, são inúmeras as páginas como a Diabetes Brasil que aborda tudo sobre a doença. Nessas comunidades, todos debatem abertamente sobre o que os afligem. Por tudo isso e pelo que pode vir, é a hora dos profissionais investirem na chamada web 2.0.
É a primeira vez que se consulta com o médico. Na recepção, a atendente pede para preencher um papel com os dados pessoais. Em alguns casos, ela também fornece outra folha com um questionário sobre nosso histórico de saúde. Após algum tempo gasto para responder, entra-se no consultório para conversar com o médico. Frente a frente, o doutor faz mais perguntas. Ele toma nota em uma ficha que, após a consulta, irá ocupar mais um espaço no arquivo. Mas a saga não para por aí. No retorno ao consultório, demora um pouco mais até encontrar a ficha com nossos dados. Se a consulta for com outro profissional, mesmo que seja do local em questão ou da mesma rede, outra vez teremos que explicar todos os problemas da nossa saúde.
Essa é uma realidade em muitas clínicas particulares brasileiras e em atendimentos públicos. O que resulta em perda de tempo de todos os profissionais, em demora para atender o paciente, em falta de espaço para guardar tantos arquivos, em possíveis erros ao interpretar a grafia dos profissionais, em gastos com materiais que poderiam ser poupados e em desperdício de recursos ambientais – como madeira e água usadas para produzir o papel. Todos saem perdendo: recepcionistas, enfermeiros, médicos, gestores, pacientes e, claro, os cidadãos.
Esse problema é tão visível que existem iniciativas no setor público para combater tanto desperdício e otimizar o atendimento. A cidade de Rio Claro, por exemplo, no interior do Estado de São Paulo, inaugurou este ano o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) - unidades de resolução rápida com equipamentos de última geração – com um sistema online de atendimento. Graças ao sistema de gestão clínica da InterSystems, será possível atender até 14 mil consultas mensais num total de 28 especialidades médicas. Resultado: atendimento mais dinâmico.
O sistema é composto por quatro módulos: prontuário eletrônico, cadastro do paciente, agendamento de consultas e receituário eletrônico. Em outras palavras, o registro com todas as informações do paciente – dia em que foi ao médico, quais problemas apresentava, remédios receitados, tratamentos indicados, doenças que já teve – será armazenado nos computadores. Será uma espécie de um banco de dados de cada paciente.
Rio Claro já se preveniu para garantir, além de um atendimento eficiente no presente, um futuro mais organizado. Isso porque o sistema permite que diferentes unidades das AMEs sejam interligadas eletronicamente. As informações do paciente, que se consultou em uma unidade, poderão ser repassadas para todas as outras. O paciente precisará informar seus dados pessoais e a história da sua saúde apenas uma vez. Desse modo, acima de tudo, o sistema eletrônico assegura um ambiente de trabalho organizado para os profissionais e qualidade de vida para toda a população.














