Escrito em 8 de mar de 2010

Twitter e Facebook: o que eles têm a ver com sua saúde?

por Johnny Systems

Você vai ao médico. Descobre que deve fazer um tratamento, tomar algum remédio ou que possui alguma doença. Qual a primeira ação ao navegar na internet? Entrar nos sites de busca para encontrar mais informações sobre o problema. Informações que poderão ser corretas – ou não – dependendo do site pesquisado.

Assim, alguns profissionais viram nas redes sociais uma ferramenta única para orientar os pacientes. Existem mais de 100 delas, em mais de vinte línguas. As mais populares, atualmente, no Brasil são: Facebook, Twitter, Orkut, MySpace e LinkedIn. Só que, para auxiliar a saúde, seu uso ainda está engatinhando no Brasil.

Elizabeth Han, engenheira biomédica da Universidade de Toronto, nos Estados Unidos, vai mais longe. Em seu blog, ela sugere que as pessoas com as mesmas condições médicas “tuítem” sobre um tema usando uma tag – palavra-chave escrita usando o símbolo “#” seguido por determinadas letras. Mas para quê?

Durante a reunião de um grupo de apoio, o profissional que conduz o encontro pode debater os sentimentos postados no Twitter ao longo dos dias. Fora do horário das reuniões, as pessoas podem buscar apoio umas nas outras, usando as redes sociais. Além disso, o material postado pode fornecer dados para estudos sobre o comportamento humano.

No Canadá, dois pesquisadores publicaram um artigo científico sobre a análise dos tweets durante o surto de gripe suína, em 2009. Entre os dias 28 de abril e 11 de maio de 2009, Cynthia Mei Chew e Gunther Eysenbach, da Universidade de Toronto, Canadá, arquivaram mais de 300 mil tweets contendo as tags: “swine flu”, (gripe suína) e “H1N1”.

A análise preliminar de 400 tweets mostrou que 46% deles compartilhavam informações comuns sobre o tema, 36% citavam notícias ou links e 19% eram sobre educação pública em saúde. Somente sete casos apresentavam desinformação. Conclusão dos pesquisadores: “O serviço está sendo utilizado para distribuir notícias e informações de fontes confiáveis”.

Assim, o Twitter pode ser uma importante ferramenta para auxiliar pacientes e direcionar os profissionais da saúde. No inverno do ano passado, quando o vírus da gripe H1N1 se alastrava pelo Brasil, o Ministério da Saúde dispunha todos os dias atualizações sobre a doença no seu perfil do Twitter. Todos podiam acompanhar os dados oficiais e tirar dúvidas sobre a doença. Além disso, o Ministério também mantém um formulário de perguntas online, o Formspring, respondendo às dúvidas dos cidadãos.

O neurologista Ricardo Afonso Teixeira, que mantém o blog ConsCiência no Dia-a-Dia, no ano passado inaugurou seu perfil no Twitter. De acordo com o médico, seu objetivo na internet é “a difusão das mais recentes publicações científicas em saúde que tenham impacto direto no dia a dia das pessoas, com linguagem acessível e forte enfoque na saúde preventiva”. Ele posta no Twitter dicas relacionada às novidades na sua área. Como, por exemplo, um estudo que descobriu que o glaucoma – aumento da pressão intra-ocular – começa no cérebro e não no olho, como se imaginava.

E o que as pessoas leigas, sem vínculos com grupos e hospitais, ganham com isso? Do outro lado da tela, os parentes, amigos ou os próprios pacientes encontram informações confiáveis e um modo de tirar certas dúvidas, além do apoio de outras pessoas que sofrem com o mesmo problema. É comum os pacientes debaterem entre si sobre soluções encontradas, dicas e alternativas. Dessa forma, é possível amenizar um pouco dessa angústia. Consequentemente, muitos pacientes acabam respondendo melhor aos tratamentos.

Sabendo disso, o Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) e o Hemocentro de Ribeirão Preto entraram no Facebook. O primeiro possui um grupo onde as pessoas participam com fotos e mensagens. O segundo criou um perfil próprio, onde escreve sobre suas atividades. No Orkut, são inúmeras as páginas como a Diabetes Brasil que aborda tudo sobre a doença. Nessas comunidades, todos debatem abertamente sobre o que os afligem. Por tudo isso e pelo que pode vir, é a hora dos profissionais investirem na chamada web 2.0.

3 Comentários para este artigo

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  1. O que o Orkut e outras redes sociais tem a ver com a sua saúde? | CyberSociedade
    em 9/ mar/ 2010

    [...] foi publicado no site SaudeConectada um artigo muito interessante chamado “Twitter e Facebook: o que eles têm a ver com sua saúde?“, que faz um apanhado geral do uso destas duas ferramentas sociais em prol da saúde e do [...]

  2. Elizabeth Han
    em 10/ mar/ 2010

    Thanks for mentioning my post! I think there’s so much potential for tapping into how people communicate about health care using web 2.0 tools. The Eysenbach study is the first one I’ve seen of its kind. Hopefully, there will be more to come, perhaps at next year’s Medicine 2.0 conference in Toronto.

  3. MARA ROSANE MORAES BITTENCOURT
    em 9/ abr/ 2010

    Puxa, fiquei muito satisfeita ao encontrar esse blog e lendo este artigo sobre as redes sociais, tive um grande alívio. Isso porque há anos tenho problema de coluna, fiz cirurgia e estou em tratamento constante, e claro, hoje em dia procuramos informações na internet e sempre ouvia falar 2 coisas, uma que não se deve procurar na internet porque não é crível e outra que se estamos doentes como podemos estar no computador, mas pra essas 2 questões sempre tive repostas: uma que na internet temos que saber filtrar e outra que mesmo estando doentes precisamos sim estar informados e no computador sabemos nossas limitações. E também gostei muito de ler o perfil médico neste blog, vendo que ainda há médicos atualizados que confiam nas redes sociais, e adorei a idéia do twitter… afinal a tecnologia está aí então vamos fazer bom uso dela, depende enós. Mia uma vez parabéns. Meu blog específico sobre coluna é: colunalegal.com.br. Abraços

    Re: Falou certo, Mara. O bom uso da tecnologia depende de nós. Portanto, bom senso, sempre. Obrigado pela visita e parabéns pelo seu blog também!

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