Escrito em 11 de mar de 2010

Médico x paciente: quem sai ganhando?

por Johnny Systems

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Quem nunca foi à primeira consulta – independente da especialidade – e desistiu de seguir o recomendado simplesmente por não gostar de alguma atitude ou do próprio profissional? Não que esse determinado profissional não tenha competência suficiente. Nessa questão, o mais importante fracassou: a relação médico-paciente. As explicações para esse insucesso podem ser inúmeras: falta de empatia, insegurança com relação ao profissional ou não gostar das atitudes do médico.

Um estudo publicado no jornal científico Archives of Internal Medicine tentou identificar essas dificuldades. Pesquisadores americanos analisaram 426 relações entre médicos e pacientes nos Estados Unidos. Os médicos entrevistados tinham entre 29 e 89 anos – 44% eram do sexo feminino, 22% de minoria ou grupos étnicos e os demais eram homens caucasianos. Com o estudo, descobriu-se que as médicas jovens têm mais chance de encontrar problemas nessa relação profissional-paciente. Do outro lado, 14% dos médicos frequentemente recebem pacientes com expectativas irreais para seus problemas. Muitos querem tomar remédios, mas sem ter necessidade.

Respectivamente, a causa pode ser preconceito por parte dos pacientes. Pode ser falta de tato por parte dos médicos. Ou de informação sobre doenças pelos pacientes. Mas é difícil descobrir uma solução que se encaixe em todas essas relações. Buscando uma diretriz, o American College of Physicians (ACP, na sigla em inglês) – segundo maior grupo médico americano com 129.000 membros – publicou um artigo sobre o tema. Ele traz um guia de orientação para a relação médico-familiar e paciente, possível de ser aplicado em todas as situações. Por exemplo, o guia afirma que: o respeito pela dignidade do paciente deve nortear todas as relações, o médico deve ser acessível e precisa compreender os desejos do paciente.

E a tecnologia? Ela pode ajudar?

A resposta é… Sim! Ela parecia informal, pois quando se pensa em tecnologia, imagina-se um computador ou uma máquina fazendo suas análises programadas sozinhos. Sem entrar na discussão de que essas análises foram pensadas por alguém, o médico pode utilizar softwares destinados a consultórios para facilitar a relação com o paciente. Como citado nesse post, programas de computador agilizam o atendimento. Consequentemente, eles suavizam o relacionamento médico-paciente. Para o paciente, tal agilidade pode ser sinônimo de organização, profissionalismo e respeito. Com isso, o paciente não chega estressado à sala do médico, que pode ter uma melhor qualidade de vida em seu trabalho, gerando fluidez ao encontro.

Outro braço da tecnologia que, indiscutivelmente, facilita a comunicação é o exame complementar. Geralmente, o atendimento no consultório é dividido, primeiro, em história clínica do paciente e em seguida, no exame físico feito pelo médico. Desse modo, em cerca de 80% dos casos, o profissional consegue elaborar hipóteses diagnósticas. Para confirmar – ou descobrir – o problema, o médico recorre aos exames complementares – muitas vezes de alta geração, como a tomografia computadorizada que produz imagens em 3D. Quando seguida essa sequência com paciência por ambas as partes, a chance de sucesso na relação e em resolver o problema do paciente é grande.

O paciente e o médico precisam apenas perceber que a tecnologia não substitui a saudável relação entre ambos. “Quem sabe, ao necessitarmos de um atendimento, seremos analisados por um equipamento que nos mapeie da cabeça aos pés e nos possibilite conhecer imediatamente qualquer alteração patológica de nosso organismo, seguido da melhor orientação terapêutica possível. Felizmente, sempre será uma máquina e faltará algo essencial à manutenção da vida: o relacionamento humano”, escreveu o médico e pesquisador Paulo Bezerra de Araújo Galvão no artigo “Tecnologia e medicina: imagens médicas e a relação médico-paciente”.

Tudo que se refere à relação interpessoal parece ser mais complicado. Mais difícil ainda quando o médico é escolhido, na maioria das vezes, em um livro de planos de saúde ou indicado pelo SUS. Sem saber o que esperar um do outro, médicos e pacientes devem seguir sua intuição (cientificamente comprovada) e o bom senso. Vale também, e com bom humor, lembrar do jargão de Chacrinha: “Quem não se comunica, se estrumbica!”.

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PS: Clique aqui e leia também um relato bem interessante que o Dr. Health fez sobre informatização na saúde, publicado na Revista Papo de Homem.

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