Escrito em 14 de mai de 2010

Como o médico pode se manter bem informado?

por Johnny Systems

O genoma humano foi decodificado. Descobriu-se que a terapia hormonal para mulheres na meia idade aumenta o risco de acidentes cardiovasculares. Essas são apenas duas das importantes pesquisas publicadas na última década. A cada ano são feitas novas descobertas científicas na área da medicina e da farmacologia. Direta ou indiretamente, a maioria delas interfere principalmente nos tratamentos oferecidos aos pacientes. Com tanta tecnologia, acesso a publicações científicas médicas, mídias sociais, como o médico pode se manter bem informado?

Essa é uma questão importantíssima para a carreira do profissional e para a saúde de seus pacientes. Pensar nesse dilema pode até causar um certo desespero. Mas as novas formas de comunicação podem oferecer uma sugestão de resposta. E até o Ministério da Saúde percebeu o potencial delas.

Sobre as notícias oficiais brasileiras relacionadas à saúde, os profissionais podem se atualizar por meio das mídias sociais. O Ministério da Saúde possui páginas no Orkut, Facebook e Twitter. Para tirar dúvidas sobre a campanha de vacinação contra o vírus H1N1 criou inclusive uma conta no Formspring – site no qual qualquer pessoa posta uma pergunta, mas só o dono da conta pode responder. Já a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que regula medicamentos e alguns tratamentos, possui uma área no seu site apenas para informes e outra para notícias referentes a suas ações.

De acordo com uma matéria publicada no site Diário da Saúde, os médicos conseguiriam manter-se mais bem informados com o ritmo das descobertas científicas se usassem um plano de carreira para tal. Essa conclusão foi publicada em um estudo na revista científica Academic Pediatrics. A pesquisa analisou se “os residentes em pediatria sabem como desenvolver planos de profissionalização para se manter a par das últimas novidades na prática médica”.

Participaram da pesquisa médicos residentes – profissionais formados que estão se especializando – de 46 dos programas de residência em pediatria nos Estados Unidos, o que corresponde a 23% do total. Cerca de 1.000 dos 1.700 residentes de pediatria de todo o país foram entrevistados. Apenas 26% dos entrevistados disseram monitorar seu próprio desenvolvimento para atingir objetivos na aprendizagem. Dessa forma, a pesquisa concluiu que o acompanhamento do processo de aprendizagem continuada é mais relevante para manter os médicos atualizados com as últimas descobertas científicas e com as últimas técnicas disponíveis.

Resumindo, a melhor maneira de se manter em dia com o que há de mais novo é escrever planos realizáveis de acompanhamento do que é publicado na área e de aprendizado de novas técnicas. Em seguida, seguir os planos, claro. Apesar de ser realizada com residentes em pediatria, o resultado pode ser aplicado para qualquer profissional.

Manter-se conectado com os colegas da área também pode ser uma maneira de trocar novidades. Assim, para os conectados, o segredo é fazer um plano de estudos, segui-lo e utilizar ao máximo as redes com os amigos. Trocar experiências nunca é demais. O canal para isso? As mil e uma possibilidades da internet.

Escrito em 7 de mai de 2010

Telemedicina: o poder de mudar a sua vida

por Johnny Systems

Talvez, você nunca tenha ouvido falar em telemedicina. Mas saiba que ela ganhou força com as novas tecnologias e pode ser extremamente útil para sua vida. O que seria isso? São chamados de telemedicina todos os serviços prestados por profissionais da área da saúde por meio de tecnologias de informação e de comunicação. Geralmente, ela é colocada em prática quando o paciente está muito distante ou quando a locomoção entre pacientes, estudantes da área da saúde ou médicos é complicada. Ela pode ser uma consulta online, videoconferência médica ou educação à distância.

De acordo com a Rede Universitária de Telemedicina – uma iniciativa para apoiar a implementação da prática nos hospitais universitários –, as ações na área de saúde, no Brasil, são realizadas desde a década de 1990, mas de forma tímida. “Um país com dimensões continentais, no entanto, tem muito a ganhar com a formação e a consolidação de redes colaborativas integradas de assistência médica à distância. Benefícios como a redução dos custos com transportes e comunicações e a possibilidade de levar a medicina especializada a regiões remotas do país fazem enorme diferença”, destaca o site.

O Rio de Janeiro, percebendo as diversas possibilidades da telemedicina, implantou um novo sistema. Os exames realizados pelo Programa Saúde da Família serão encaminhados, via internet, para o Hospital Municipal Miguel Couto, onde especialistas ajudarão no diagnóstico. “A novidade faz parte da estratégia da Secretaria Municipal de Saúde em diagnosticar doenças com maior rapidez sem necessidade de o paciente esperar por um consulta da rede pública”, publicou a médica Leandra Alum, no blog Tecnologia da Informação e Medicina.

Nesse caso, as pessoas que moram em cidades do mesmo porte que Rio de Janeiro e de São Paulo podem ter esse benefício já. Imagine ter realizado os exames em um laboratório, sendo que já havia passado por consulta com o médico que os solicitou. Em seguida, o resultado e as imagens seriam disponibilizados, pelo laboratório, na internet. O paciente entraria em contato com o médico, repassando por e-mail o resultado dos exames e, em seguida, teria o atendimento online. Não haveria horas perdidas no deslocamento, estresse no trânsito e paciência na sala de espera do profissional.

Com relação a epidemias, como a que era esperada com a gripe H1N1, a telemedicina seria relevante para a saúde de toda a população. Se fosse constatado que uma pessoa adquiriu a doença, o paciente poderia permanecer em casa, mas sendo monitorado por médicos via internet. Se piorasse, voltaria para o hospital para receber novo tratamento. No blog Muita Saúva, o autor Renato Okano cita outro exemplo, o de doentes crônicos.“Há inúmeros equipamentos no mercado que já fazem integração, via internet ou discagem direta ao centro de cuidados, dos dados do paciente com as bases de dados de instituições que cuidam deles. Monitores de pressão, de glicose e de peso, por exemplo, já são uma realidade, e a integração já está se concretizando”, escreveu.

Com a telemedicina, o paciente poderá ser atendido melhor, com mais rapidez e exclusividade. As vantagens são maiores ainda, em um país com dimensões continentais, como o Brasil. Cerca de 15% da população (mais de 192 milhões de habitantes) ainda vive em locais afastados. A telemedicina, em terras brasileiras, significa democratizar a saúde, fornecer melhor qualidade de vida para todos de forma igualitária e, claro, economia para investir em mais saúde.