
A burocracia toma mais de um terço do tempo de médicos durante o período de atendimento, mais precisamente 39% das horas. Esse foi o resultado de uma pesquisa divulgada recentemente pelo The New York Times, na matéria Doctors and Patients, lost in paperworks. A pesquisa concluiu que se não houvesse a burocracia, os pacientes poderiam ter 40% a mais de tempo com o médico para investigações mais completas.
Outra pesquisa, citada pela mesma reportagem, aponta o aumento da burocratização entre residentes de medicina. Nesse caso, os dados indicam que estudantes perdem duas vezes mais tempo com documentação atualmente do que duas décadas atrás.
Os indicativos são um convite para a reflexão sobre os processos e o cotidiano da área médica. Será que não podemos eliminar boa parte da burocracia para que os médicos dediquem um tempo maior no que realmente nos interessa, a saúde do paciente?
Esse tempo perdido fica ainda mais complexo quando estamos lidando com as necessidades de documentações exigidas pelos diferentes planos de saúde. Diariamente, inúmeros pedidos de exames ainda são negados ou têm que retornar para o médico por erro ou falta de preenchimento.
Essa dificuldade e muitas outras vêm sendo vencidas pelo uso de tecnologias de informação pelos médicos. Hoje, por exemplo, a internet oferece possibilidades muito maiores de aprendizado aos estudantes. A base de dados da MEDLINE, mantida pela Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, possui nada menos que 19 milhões de referências bibliográficas, com resumos, desde 1970, disponíveis online.
A solução
O registro eletrônico de informações médicas sobre os pacientes, feitos internacionalmente de forma unificada e integrada a hospitais, laboratórios e consultórios parece ser a melhor solução, o que não elimina as dificuldades para implantação. A reportagem da Revista Informática Médica esclarece pontos importantes sobre as dificuldades de uso do registro eletrônico. O principal é cultural, depois vem a necessidade de padronização e unificação dos sistemas:
“(…) para substituir inteiramente o papel pelo computador é preciso ocorrer uma verdadeira revolução cultural no ambiente profissional e na cabeça dos médicos e enfermeiros, que devem ser usuários diretos do computador e responsáveis pela informação que será colocada maciçamente lá dentro.”
Outro problema é a necessidade de uma linguagem padronizada universalmente. No Brasil há alguns movimentos para isso, mas não é o suficiente. Por isso, sistemas com o intuito de informatizar a linguagem da Medicina têm surgido nos EUA e na Europa. A reportagem aprofunda-se mais ainda no cenário atual:
“Geralmente, as diferentes empresas e instituições desenvolvem os seus próprios sistemas, ou compram sistemas incompatíveis entre si no mercado, e eles não se comunicam, dificultando a formação de redes de saúde. Por isso, está em andamento um esforço grande de conseguir uma linguagem comum entre os sistemas.”
Muitos fatores demonstram as vantagens do uso da tecnologia na área de saúde e a globalização torna necessária a criação de padrões internacionais para uma unificação de sistemas em todo mundo. Não há dúvidas que vamos chegar ao ponto em que as redes de comunicação farão parte do dia a dia do médico, assim como o estetoscópio. O que ainda não se sabe é quando e como se dará esse processo. O movimento de quem se preocupa com isso tem sido nessa direção, de sugerir caminhos.

O cigarro é o segundo causador de mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), só perdendo para a hipertensão. E, mesmo diante desse dado ou das proibições de fumar em ambientes fechados, muitos não conseguem libertar-se do vício. Os tratamentos que existem incentivam a parar por meio da redução do uso de cigarros e, na prática, são inúmeros os casos de ex-fumantes que voltam a fumar.
Essa é atual situação dos dependentes do tabaco, mas um olhar diferenciado fez surgir uma esperança, prometida para estar disponível no mercado em 2012. Recentemente, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, iniciou estudos clínicos para uma vacina anti-fumo, denominada NicVAX.
Até então, todos os tratamentos contra a nicotina atuavam no sistema nervoso central. A nova vacina atua no sangue e impede que a nicotina passe para o cérebro e ocasione a sensação de prazer para fumantes. As primeiras fases dos ensaios clínicos mostraram que a vacina é capaz de criar esse mecanismo evitando a retomada do vício.
A Nabi Biopharmaceuticals é o grupo por trás do projeto e ainda não divulgou efeitos colaterais da vacina, mas afirma que os efeitos são menores, já que ela não atua no sistema nervoso central.
Prevenir é a melhor opção
Mais do que um tratamento eficaz, o conceito inovador dessa vacina é que ela pode ser uma opção para prevenir as doenças causadas pelo cigarro, tais como o câncer de pulmão (87% das mortes por câncer de pulmão ocorrem entre os fumantes), doenças cardíacas (fumantes têm 70% a mais risco), problemas com circulação sanguínea, entre outras.
Mas, para isso, é necessária uma mudança cultural no brasileiro, que tem o costume de só procurar um médico para tratamentos de doenças e não para prevenção. Segundo um estudo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o perfil de mortalidade dos brasileiros é similar entre os cidadãos atendidos pelo SUS e aqueles que pagam por um plano de saúde. Em ambos os casos, as doenças do aparelho circulatório aparecem como a principal causa de morte (31%), seguida das neoplasias, responsável por 22% das mortes.
A razão de tal similaridade demonstra que o problema não é financeiro e sim falta de prevenção, somada à necessidade de uma rede de saúde integrada. Uma das saídas é investir em soluções como o sistema do Cartão de Saúde do Cidadão, implantado no Distrito Federal. Prontuários eletrônicos podem ser o caminho mais óbvio para evitar gastos com saúde partindo do princípio da prevenção. Vale ressaltar que a tecnologia da informação está ai, disponível de inúmeras formas, e muitas vezes não é utilizada em todo o seu potencial. Assim como um olhar inovador gerou uma vacina preventiva, o Brasil precisa de um olhar diferenciado, novo, para ter um sistema de saúde preventivo nacional.














