Escrito em 21 de jul de 2010

Organizações americanas se unem para que todos os médicos passem a fazer uso do e-prescribing

por Johnny Systems

A National ePrescribing Patient Safety Initiative (NEPSI), uma iniciativa de diferentes organizações de Saúde nos Estados Unidos, está liderando um projeto digno de atenção: uma campanha para que todos os médicos americanos usem um software de prescrição eletrônica, o e-prescribing. Mais do que fazer campanha, a NEPSI passou a oferecer aos seus associados um software de prescrição eletrônica (e-prescribing) gratuito.

A razão por trás da iniciativa são os erros médicos de prescrição, uma discussão de longa data. Mais precisamente, desde 1999, quando o Institute of Medicine (IOM) afirmou que morrem, anualmente, entre 44 mil a 98 mil americanos devido a erros médicos e 7 mil devido a erros de medicação. Já naquela época começaram os estudos para oferecer soluções à questão e as prescrições eletrônicas são consideradas fator contribuinte para a segurança de pacientes hospitalizados, além de evitar erros provocados pela ilegibilidade da receita e de dosagem.

Na Inglaterra, um estudo identificou que 15% das prescrições apresentam um ou mais erros. Outros estudos apontam os efeitos adversos provocados pela prescrição errônea. O Winterstein et AL, em 2004, mostrou que 72% dos erros de medicação acontecem na prescrição, seguidos pela administração (15%), dispensação (7%) e transcrição (6%).

E-prescribing na realidade brasileira
No Brasil, poucos são os dados sobre o tema, mas quem nunca teve uma ou muitas receitas médicas ilegíveis em mãos?

Se a prescrição fosse eletrônica, com o uso de computador ou palmtop, a mesma seria enviada para a farmácia eletronicamente. Para nós, ainda parece uma realidade do futuro. Mas basta que o Governo, ou uma iniciativa como a da NEPSI nos Estados Unidos, apareça para que o cenário mude rapidamente, pois a tecnologia já está disponível no mercado.

E as vantagens seriam inúmeras. O e-prescribing pode melhorar a eficiência no atendimento, diminuir erros e melhorar a obediência aos formulários de gerenciamento médicos. Além disso, oferece informações importantes de apoio à decisão médica, com opções de escolha de medicamentos, alternativas para um medicamento receitado, possíveis efeitos colaterais, informações sobre a droga que está sendo receitada, alertas sobre erros de dosagem, entre outras informações.

Em uma pesquisa com médicos que usam e-prescribing, de acordo com o blog Informática Médica no PSF, 75% dos médicos indicam que o sistema eletrônico pode diminuir erros, 70% cita aumento de produtividade, 60% indica potencial em diminuir recusas a ajudar paciente a assumir mais responsabilidade, e 50% acredita que pode diminuir o tempo de consulta e o número de pacientes que procuram serviço sem necessidade.

Se as vantagens são tantas, por que ainda não está sendo disseminado com tanta força? As dificuldades parecem estar centradas principalmente nos custos. E é por isso que a iniciativa da NEPSI em oferecer um software gratuito merece tanto destaque.  Muito provavelmente, o grupo por trás se responsabiliza pela manutenção do sistema,uma das partes mais importantes e que implica em altos custos.

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